Apocalíptico

Enquanto isso…

O trabalhador segue sambando. A esquerda segue cantando suas marchinhas vitimizadoras. A mídia segue proliferando interesses absurdos. As elites seguem sendo os opressores das massas. A justiça permanece cega. A verdade não pertence a ninguém. Vamos no alalaoooo ooooo ooooo, mas que calooorrr… Não, não…está tudo errado! A escola que vai ganhar 10 e sair campeã é uma de Samba e não aquela que ensina a boa educação. Comemora-se uma nota 10 como se fosse a final da copa do mundo, uma espécie de analgesia para aliviar a enchaqueca da realidade que anda armada nas ruas livremente, seja em blocos de arrastões ou misturados na sociedade que parece, a cada dia que passa, tomar para si o livre arbítrio em favor do estado de natureza no qual gradativamente retomamos sem nos darmos conta. A involução humana desce morro abaixo feito deslizamento de terra, levando tudo e todos, sem qualquer aviso, sem qualquer controle. Alalaoooo ooooo oooo…mas que calo o o o orr! Sairemos dos sambódromos para em seguida ajoelhar nas muitas igrejas de todos os santos, pedindo, agradecendo e rogando a Deus o perdão pela própria hipocrisia. Se a própria consciência não ouve, por que Ele deveria? A humanidade, que tanto abomina a estupidez, animalescamente comporta-se como tal. Enquanto isso, o bom senso se torna cafona e discurso dos fracos. Alalaooo oooo ooo…o sol estava quente e queimou a nossa cara!

Obs.: Nada contra o Carnaval, nada contra qualquer manifestação cultural, nada contra a política ou a crença religiosa. Manisfesto aqui a tristeza que aponta para nós mesmos, supostamente racionais, demasiado humanos, como disse aquele pensador alemão da moral.

 

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Meme e bom senso ainda não se conheceram

Se empregassemos a criatividade e o tempo que nós, brasileiros, gastamos em redes sociais inventando, contando e rindo das próprias piadas, certamente seriamos levados mais a sério pelo resto do mundo. Nada contra o bom humor, claro que é importante sim. Mas o bom senso é tão importante quanto. Poxa, mal o norte-americano candidato republicano ascendeu à casa branca, como num passe de mágica, milhares de mensagens de repúdio, montagens, piadinhas, etc, começaram a circular nos  grupos e redes sociais feito água de enchente. Se alastram viralmente mais do que o Chikungunya e Zika virus juntos, inclusive lembrando que esses dois infortunios da natureza também estão na mira dos mesmos  engraçadinhos estapafúrdios que não fazem ideia do que é adoecer ou padecer pela perda de quem se ama, vítima desses nem tão engraçados “passageiros” de mosquitos. O mais intrigante nisso tudo, é que rimos das piadas, compartilhamos as mensagens, comentamos sobre os possíveis males, apontamos os erros alheios e mais uma infinidade de opiniões despropositadas, mas na hora de chutar o balde desta bandalheira política que anda transbordando com a delapidação dos nossos bolsos, esvaziando discaradamente os cofres públicos, sobretaxando nosso trabalho, ignorando nossa indignação, simplesmente ficamos na inércia feito palhaço que ri da própria face frente ao espelho. Pior, criamos mais um “zilhão” de piadas, memes, frases de efeito, críticas sem pés nem cabeça e seguimos espalhando toda essa bosta humana no ventilador da Internet. E o bom senso onde anda? Rir da própria ignorância ou da desgraça alheia agrada tanto quanto sair dissiminando a estupidez mundo a fora? Como poderemos ser encarados como um povo sério se a única coisa realmente séria é esse complexo de inferioridade e discenso sobre a realidade na qual estamos afundando e que não tem graça nenhuma. Fala-se dos efeitos midiáticos sobre as massas como agente responsável pela alienação, quando na verdade somos todos alienados por não conseguir ou querer enxergar o próprio rabo e rirmos da própria dor ao deixá-lo solto para os outros pisarem. Que loucura de comportamento é esse? Ser engraçado as vezes é bacana sim, mas atestado de estupidez com selo de qualidade e tempo ilimitado, ninguém merece!