Atenção, redutora da tensão

Pode, a primeira vista, parecer óbvio e desnecessário repetir–se no assunto. Entretanto, o óbvio é isso mesmo, lugar comum que se conhece e não se quer voltar.
O óbvio é exaustivo e insistente e por razões (óbvias), o ignoramos.  E é só lá, quando o óbvio arregaça as mangas e mostra os dentes que lembramos; era óbvio!

Já a novidade, antagonista do obviedade, é dona incontestável de considerável e inegável parcela de atenção. É nela que aninhamos nossa ânsia bandeirante. Por estas paragens que, esperançosos, aguardamos os louros daquela que, feito elixir rejuvenecedor, consegue aliviar nossas almas expectadoras e ansiosas por qualquer coisa que não nossa velha conhecida. Também a empreender um sentimento quase infantil de felicidade, aliado a uma juvenil vontade de seguir arriscando desajuizadamente, acontença o que acontecer, até sabe-se lá onde.

Mas a novidade, como tudo que existe no mundo dos homens , envelhece, tem prazo de validade. Logo, a tão festejada novidade já não o é mais e torna-se passado, um história, uma experiência, enfim, incorpora-se ao rol das obviedades. Passa a habitar as lembranças como epitáfios em lápides esquecidas. O novo do agora, que é jovem e viçoso, promissor apaixonado e por que não, dizê-lo sonhador, logo comporá a enciclopédia das velhas novidades, lar onde residem as obviedades.

Difícil, porém não impossível tarefa, é admitirmos que o óbvio antes de sê-lo, novidade fora, que ficou velho, que está pacientemente a espera de alguma memória eloquente quando não restarem alternativas. Lembrar que é no óbvio onde residem boa parte das soluções senís para novos problemas. É na experiência axiomática e na sua previsibilidade que podemos deduzir desatentas ações e escolhas.

É, sem muitos rodeios, óbvio que estar atento a tudo, ampliará as chances de alcançarmos um nirvana budista, um céu cristão, uma felicidade aleatória numa suposta plenitude ou seja lá qual for a orientação, o caminho que cada indivíduo opta para sua jornada através do seu tempo.

Entretanto, esse óbvio, como filho pródigo que só retorna quando não encontra outra altenativa senão uma que de tão evidente parecia a menos eloquente, requer muita atenção. Sim, atenção é a palavra de ordem. Da mesma atenção dedicada à novidade, carece a obviedade. A angústia, inerente ao homem sedento pelo novo, desvia sua atenção e busca completar-se nas efêmeras novidades, ignorando o velho e bom óbvio e convergindo a necessária atenção para uma desnecessária tensão.