Mude o discurso ideológico radical. Sugira soluções para melhorar. Só criticar é inútil.

Tá chato, desgastado e hipócrita esse discurso que culpa as “elites, essas abominantes elites! Que fala das minorias como se a igualdade fosse algo possível para todos num mundo de pessoas diferentes! Que acredita em opressores e oprimidos como se cada um deles pudessem dizer:  Agora eu vou ser opressor pois minha indústria esmagará todos seres miseráveis e despresíveis que trabalharão de forma escrava para mim! Ou, do lado oposto deste disco igualmente arranhado: Por não ser abastado e poderoso como meu patrão, nem ter acesso aos confortos dos ricos,  sou oprimido e vítima de um sistema injusto e que me quer assim, pobre e inerte.

Mude o discurso ideológico radical.

Quando esses discursos insensatos irão parar? “Tá” cansativo companheiro e companheira, vamos lá, mude a fita, mude o discurso, mude o jeito de se olhar como vítima de tudo e das circunstâncias. Mude esse pensamento partidarista radical, mude o tom da voz, mude para somar e multiplicar e não para subtrair e dividir. Quer defender uma ideologia, acho ótimo, Gandhi fez isso de forma pacífica e sem agressões verbais e adjetivadoras. Mas em nenhuma hipótese defenda a corrupção e a impunidade! Cite todos, mas não exclua quem rouba, pois ninguém lá, digo, nessa política individualista, nesses sucessivos governos de faz de conta, é santo salvador, é alma pura ou é “do povo, para o povo”. Todos que encaram a política como trabalho, em forma de salário, almejam o poder para si e para os seus, o controle e tudo mais que lhes garanta uma vida segura e confortável. São candidatos a uma vaga para representar no sentido teatral da palavra.  E as supostas lutas de classe que dizem compreender, caem por terra quando agem ilicitamente com o dinheiro alheio. E o coletivo social, além do voto, pode apostar, não está incluso nos planos políticos. Isso vale para todos os esquerdopatas, direitopatas, centropatas e demagogos que fazem a roda girar para onde querem que gire. Vale para os azuis atucanados, para os medievos vermelhos e todos que voiciferam ou que se calam. Também para os que invadem e vendem e para os que vendem sem invadir. Não, não defenda o indefensável, nem grite em vão para defendê-los.

Sugira soluções para melhorar.

Sugira ideias novas, práticas sociais saudáveis, governanças ajustadas ao ideal coletivo, mas não venha com esse discurso pronto de que “esse” e “aquele” estão unidos para prejudicar “aquele” e “aquela”. Que se repete, que se anula, que se agrava e que em nada, absolutamente nada, contribui. Menos, bem menos por favor. Isso não constrói coisa alguma além da discórdia e desunião. Alimenta ideologias rasas que se tornarão pensamentos radicais nas mentes fracas que não conseguem olhar para além do que é velho, desgastado e inútil. Quer gritar? Então aos gritos sugira e mostre para todos que é assim e assado que se faz a coisa certa, porque você já tentou e deu certo! Mas não insista numa suposta verdade em forma de opinião. O dedo em riste gera opiniões dualistas e, quase sempre, descontextualizadas. Poupe saliva para cuspir acusações e use a palavra para promover ideias que melhorem o que está ruim. Oras, que está ruim, isso todos sabemos. Onde está ruim, também sabemos. Mas lembre, antes de agredir, que o bem não é privilégio de um lado só, nem o mal algo unilateral. Todos são culpados de alguma forma. Todos! Inclusive eu e você que me lê. Quando acusamos sem sugerir não estamos mudando nada de efetivo, apenas aliviando o peso da culpa dos próprios ombros e usualmente preferimos o caminho mais fácil, mais curto o de se apropriar do discurso pronto à ter que gastar fosfato e pôr a mão na massa.

Só criticar é inútil.