Fragmentos de Pessoa – Livro do Desassossego

download“Em todas as minhas horas libertas uma dor dormia, floria vagamente, por detrás dos muros da minha consciência, em outros quintais; mas o aroma e a própria cor dessas flores tristes atravessavam intuitivamente os muros, e o lado de lá deles, onde floriam as rosas, nunca deixava de ser, no mistério confuso do meu ser, um lado de cá esbatido na minha sonolência de viver”. (Fernando Pessoa)

O que nos falta mais, saúde ou ética?

Não é novidade alguma o problema da saúde pública em nosso país. De forma bastante sintetizada, elencamos algumas falhas na máquina pública que administra a saúde dos brasileiros como: a carência de estrutura médico-hospitalar, a falta de investimentos nos profissionais da saúde, o descaso do governo em priorizar a qualidade do atendimento, a ineficiente fiscalização, a desorganização, entre tantas outras realidades que se apresentam nesta área. Porém, há enraizada doença já diagnosticada e que se alastra viralmente nos setores públicos provocando os sintomas supracitados. A enfermidade na ética profissional e política.

Aparentemente, saúde pública se faz com planejamento e investimentos bem direcionados, com conhecimento especializado, com pró-atividade e modelos teórico-práticos bem sucedidos. Também nos parece óbvio que saúde pública requer dinamismo e responsabilidade, carece de paixão e compaixão, também de honestidade e disciplina. No entanto, não podemos esquecer que saúde pública não se faz apenas com organizações e cargos responsáveis por sua gestão, com profissionais capacitados e bem pagos, com estruturas adequadas e dinheiro. Saúde, impreterivelmente, tem início nas decisões dos governantes e legisladores. Nas mãos e canetas daqueles que, raramente, para não dizer, nunca, fazem uso dessa estrutura pública e sim, garantem a própria saúde nas instituições privadas e elitistas. Não experienciam a realidade dos que ficam em filas, dos que não podem pagar por planos privados, dos que não tem opção quando o momento exige uma emergência, dos desempregados e de todos os homens, mulheres e crianças que adoecem e morrem prematuramente sem sequer conseguir uma consulta. Superlotação, má vontade, negligência, imperícia, custam tão caro aos cofres públicos quanto a falta de ética e moral custa para o bolso do contribuinte. É com essa doença crônica que o dilema da saúde nesse país parece viver em constante conformação. Problema esse, que sempre acaba mal para os mesmos que se espremem nos corredores dos hospitais, nos postos de saúde ou nos comícios prometedores. Para os que dependem mais da sorte do que da administração pública para se manterem vivos nessa realidade.

Não basta investir milhões na saúde, em salários, em estruturas, em medicamentos, fármacos e recursos humanos, sem antes pensarmos num tratamento emergencial para o câncer que se alastra no poder público feito epidemia devastadora. Dizimando a ética, a moral e o bom senso num país que está adoecido pela ganância e corrupção dos seus próprios filhos.

Natureza, segundo Francis Bacon, a fonte do saber.

      No presente texto abarcarei os primeiros passos da produção e formulação científica que tiveram como relevante marco histórico a produção literária e filosófica de Francis Bacon, ainda num período onde predominavam os pensamentos escolásticos onde, a sombra da metafísica especulativa e dos grandes sistemas teóricos, a natureza não era posta a prova, distante da experimentação, dos sentidos e de um método que objetivasse mais do que um saber religioso e suas verdades finais. Aqui, procurarei sintetizar a importância, a influência e a contribuição deste filósofo bretão que apostou nos seus sentidos, na observação prática e numa nova metodologia que mudariam o rumo da história e da educação do homem moderno.

     É importante salientar que durante o século XVI tanto a Inglaterra quanto a França ascendiam economicamente através de uma intensa atividade comercial, a classe burguesa, fortalecida naquele momento, tornava-se politicamente influente, a coroa cedia espaço ao regime parlamentarista que, por sua vez, se fortalecia e gradativamente reduzia a força da Igreja e sua influência nos assuntos do Estado. Por fim, esses fatos culminariam num dos fatores decisivos para a revolução industrial e consequentemente abriram uma nova era que revelava o empirismo clássico e seus principais nomes.

    Esta filosofia empirista revelada estava diretamente ligada a formação da Royal Society of London for Improvement of Natural Knowlegde (Sociedade Real de Londres para o Progresso do Conhecimento Natural), patrocinada pelos ricos comerciantes que, por razões obvias, tinham interesse nesse conhecimento. Das navegações as linguagens intercontinentais a ciência experimental ganhava corpo e interagia mais e mais com a filosofia (MARCONDES, 2010, p. 184)

      Nesse contexto revelaram-se na Inglaterra grandes nomes da ciência e filosofia como: Robert Boyle, Robert Hooke, Isaac Newton, John Locke, Thomas Hobbes, David Hume, paralelamente na França destacavam-se Pierre Gassendi, Auguste Comte, Descartes e poder-se-ia citar tantos outros pesquisadores e filósofos igualmente importantes.

     Aqui, destaco o inglês Francis Bacon, certamente a mola propulsora do pensamento moderno, dando o golpe final na ciência teórica e especulativa clássica ao rejeitar definitivamente o método dedutivo e a escolástica. Bacon, defendendo o método experimental, valorizando uma metodologia científica, produziu a obra Novum Organum que notoriamente formalizou o marco do cientificismo indutivo.

   Procuramos cercar nossas reflexões dos maiores cuidados, não apenas para que fossem verdadeiras, mas também para que não se apresentassem de forma incômoda e árida ao espírito dos homens, usualmente tão atulhado de múltiplas formas de fantasia. (FRANCIS BACON, 1620)

     Não distante, e nem menos importante, outra publicação baconiana veio a tona fortalecendo ainda mais seu posicionamento cientificista relativo ao conhecimento da natureza. A obra Nova Atlântida trazia em seu bojo um reino utópico e contendo talvez o primeiro modelo de instituição científica. Nas palavras de Roberto Carlos Simões Galvão em seu artigo Francis Bacon: Teoria e Método e Construções para a Educação evidenciam a influência desta obra na educação vindoura.

Em A Nova Atlântida o autor antecipou muito do que as universidades atuais e seus pesquisadores vêm fazendo, e muito do que se encontra ainda como aspirações no campo científico. (GALVÃO, 2007, p. 39)

     Diante do exposto, mesmo que sinteticamente, podemos concluir que as intenções baconianas de formar um método experimental eficaz e longe de ser conclusivo propõem um modelo capaz de suplantar o caráter religioso e metafísico da educação medieval e gradualmente os substituí por um sistema concreto e até então, desconhecido. “A educação como ciência, representava agora um meio em busca de um fim, qual seja, o domínio do homem sobre a natureza”. (GALVÃO, 2007, p. 41)

      Complementarmente, segundo Danilo Marcondes em Iniciação à História da Filosofia, para Bacon, o conhecimento se desenvolvia na medida em que o método correto era adotado e tinha a experiência como guia. Nessa mesma linha, reafirmando e concluindo, a importância do conhecimento sobre a natureza, seus fenômenos e derivações, representavam a modernidade, uma nova fase nascida em meio ao empirismo da época. E, em defesa dessa modernidade, de um modelo de ciência ativa, prática e aplicada, de um pensamento crítico que superasse as superstições e preconceitos, só assim seria permitido ao homem o progresso e aperfeiçoamento da sua condição (MARCONDES, 2010 p. 184). 

Com a palavra: Carlos Euclides Marques

Sugiro a leitura a seguir para os amantes do saber, do ensinar, do conhecimento, das boas práticas e demais curiosos. Trata-se de um texto cuja autoria é do Filósofo e Professor do curso de Filosofia da UNISUL, Carlos Euclides Marques, que muito contribui para minha inicial e não menos empolgada escalada rumo ao saber. Exponho esse texto, pois ele sintetiza muito bem não só para aqueles que ensinam, mas para os que querem aprender também. Expõe, de forma clara, uma realidade que deveria vestir nossas instituições de ensino com ética e valores irrefutáveis. Agradeço ao Professor por autorizar a publicação e permitir a todos que me lêem refletir acerca dos fatos. Boa leitura!

Aos Professores.

 Face ao que tenho escrito, retomei algumas leituras. Desta feita, o diálogo de Platão Críton ou do dever é fundamental. Leiam e pensem sobre as palavras de Sócrates a Críton sobre o significado de sua escolha.

Rede-te, finalmente, ó Sócrates, a nossas razões, segue os conselhos das que fizeram de ti o que és, e não ponhas teus filhos, nem tua vida, nem nada desse mundo acima do que é justo, para que, quando chegares ao Hades, tenhas com que defender-te diante dos juízes, porque, não cries ilusão para ti, se fazes o que te propuseste a fazer, farás com as leis e não farás que tua causa, nem do teus, seja melhor nem mais justa, nem mais santa, nem em vida, nem em morte. Se morres, serás vítima da injustiça, não das leis, mas sim dos homens e se sais daqui vergonhosamente, trocando justiça por injustiça e mal por mal, faltarás ao pacto que te obriga conosco, leis, e prejudicarás a muitos que não deveriam esperar isto de ti e a ti mesmo, bem como conosco, a teus amigos e a tua pátria. Sempre, enquanto viveres, seremos tuas amigas irreconciliáveis e quando tiveres morrido, nossas irmãs, as leis existentes nos infernos, não te receberão, sem dúvida, favoravelmente, sabendo que fizeste todos os esforços imagináveis por destruir-nos. Não segue, portanto, os conselhos de Críton, mas os nossos.

Certamente, não acredito em espíritos ou deuses que regem a vida e, aos quais, devemos responder. Muito mais, penso que devemos responder a nossos princípios. Mesmo porque, mais cedo ou mais tarde alguém perguntará: “E os seus princípios, onde estão?” A moral é, ou deveria ser, como dizia Kant num imperativo categórico: “Faça aos outros aquilo que gostaria que fizessem a ti mesmo”. Nunca gostei de professores que faziam que davam aula, que não corrigiam meus trabalhos – sempre procurava as anotações para saber porque tirei uma dada nota, fosse qual fosse -. Na medida do possível, procurava entregar meus trabalhos antes do tempo; esperando que o professor desse um retorno para melhorar o trabalho. Caso não pudesse entregar algo no prazo – Fazer o que! – o professor tinha todo direito de não aceitar. (Também trabalhava, quando comecei minha graduação. Foi cobrador de ônibus, com uma jornada de trabalho de doze horas diária.) Do meu ponto de vista, já como graduando, nada justificaria aquilo de chamávamos pacto de mediocridade: “Você faz que ensina e nós fazemos que aprendemos”. É por estas e outras que faço questão de corrigir detalhadamente as atividades dos estudantes, mas não corrijo apenas, também: mostro caminhos; anexo textos – que algumas vezes escaneio ou fotocopio do meu própria bolso -; também atendo aqueles que, angustiadamente, não entendem o que foi escrito; explico, gasto o tempo que for preciso. Nas aulas exploro o texto: no nível metodológico, sintático argumentativo; explicando e comentando. Ultimamente, reduzi a quantidade de páginas para leitura, pois muitos colegas diziam, indiretamente: “Tem gente que enche os alunos de leitura” – Para constatar isto basta ver meus primeiros programas e comparar com os últimos -. Não raramente, recebo ligações de estudantes que já passaram por mim ou recomendados por outros. Recentemente, recebi um professor que ministraria Ética e estava um pouco perdido, sobre o que trabalhar. Conversamos uma tarde inteira. Ele saiu da minha casa com filmes, livros e alguns escritos (modestos) meus. Não faço isso por missão, não cobro – Por isso, já fui chamado de otário -. Faço, simplesmente, porque gosto e me sinto alegre em compartilhar o pouco que apreendi. Também considero isto uma obrigação. Quando fiz mestrado, recebi bolsa, toda minha vida escolar foi em escolas públicas. Alguém, ou melhor, muitas pessoas que ficaram para trás pagaram os meus estudos. Tenho que retribuir. Mesmo porque nem todos desenvolveram as capacidades que procuro aprimorar. Certamente, aquele velho amigo, que nunca mais vi, morador do morro próximo do Grupo Escolar Ismael Branco, se souber onde estou, ficará orgulhoso de saber que entre muitos da salinha de um colégio pobre do primário, pelo menos um chegou na Universidade. E mais, é professor! Nenhum esforço meu é suficientemente grande para diminuir esta diferença, mesmo porque mesmo esta conquista (minha) não alimenta a fome ou diminui a pobreza do país. E a pior de todas as pobrezas é a ignorância.

Talvez, como diz Sócrates no Protágoras (outro diálogo platônico): “Não podemos cobrar respeito aos outros daqueles que pagam sua educação, pois estes já pagaram por o que queriam.” (a citação é de memória). O dilema está no seguinte: e se eles pagam numa estância, para professar em outra (esta pública); se eles podem ser professores de meus filhos, o que devo esperar se fui eu (que fiz que o avaliava) que o “formei”?

Na correria de prazos, metas a cumprir e calendários inflexíveis, é muito mais fácil entregar o peixe do que ensinar a pescar. Falta de tempo não pode ser desculpa, nunca! Sempre é tempo de ensinar a pensar, buscar, investigar, criar hipóteses, descobrir. Por isso é necessário estar sempre atualizado, conhecer novas técnicas de aprendizagem, acompanhar as novidades. Perceba como seus alunos estão sempre com a vara de pescar na mão. Se têm preguiça é porque não foram estimulados o suficiente.” (Tião Rocha, Antropólogo, NOVAESCOLA, set-2001. Grifo meu.)

O tempo dirá!

Autor: Carlos Euclides Marques
(cópia fiel ao original)

Um pouco de Antropologia Filosófica

Para quem não esta familiarizado com a terminologia aqui vai uma sugestão acadêmica de Antropologia Filosófica:  caracteriza-se por realizar estudos do homem por meio do método filosófico, isto é, pela reflexão radical, rigorosa e de conjunto acerca das características fundamentais, existenciais e essenciais  humanas enquanto tal, destacado dos demais seres pela autoconsciência e pelo uso que faz da razão.

Em resumo a Antropologia Filosófica preocupa-se com o ser do homem. Assim como a Ontologia, que é anterior a esta e preocupa-se com o ser de todas as coisas, com o princípio e fundamento de toda a realidade que envolve o ser, a Antropologia Filosófica direciona sua atenção exclusivamente ao homem.

Diante desse ultra sintético resumo de Antropologia Filosófica e com o mesmo desejo de compartilhar um pouco do saber enquanto aprendiz deixo aqui um documentário que é muito bacana e tem muito haver com o homem e suas particularidades. Bom proveito a todos!

O existir

Papo filosófico. Para os que conhecem cabe a complementação, para aqueles menos familiarizados com o termo ai vai uma super síntese do significado de Ontologia. Portanto, Ontologia entenda-se o estudo do ser enquanto ser, suas categorias, princípios e essência. Querendo saber mais sobre o assunto posso indicar algumas fontes interessantes, não se intimide em perguntar, pois não tenho a menor vergonha de dizer que pouco sei, embora muito leia.

Trouxe para meu blog este assunto fecundo pois a poucos dias foi debatido  durante uma avaliação relativa a matéria Ontologia I do curso de Filosofia da UNISUL, cadeira da qual participo. Diante do tema que muito me interessa e larga é sua complexidade, decidi publicar uma síntese das minhas ideias para compartilhar com os demais interessados na matéria e, quiçá, somarmos conhecimento neste canto amador do saber ainda semente. Alerto aos leitores que minha opinião, embora amadora, resulta de um velho rotineiro interesse em diversas obras de filósofos e cientistas consagrados como: Descartes, Sartre, S. Pinker, D. Goleman, A. R. Dámásio, R. D. Prechet entre outros de grande relavância. Espero não desapontar ninguém e,  se deste ponto a polêmica emergir, parte da minha intensão de somar estará realizada. Parafraseando Descartes, então, por hora penso e se penso, logo existo.

Formulo aqui a ideia de que em geral não podemos fazer julgamentos concretos com base apenas na lógica, pois as informações que dispomos geralmente são incompletas ou ambíguas. Sabe-se que os sentidos e a percepção enquanto capacidades humanas afloram respostas aos acontecimentos externos e internos e, dessa forma, nos mantém informados sobre qualquer ameaça à integridade do ser. Através do sentir somos estimulados a moldar nosso comportamento para obtermos o que desejamos, bem como, evitar o que tememos. Reconhecer a relevância dos sentidos no processo de compreensão do existir não exclui aqui, de maneira alguma, a lógica como forma de raciocínio para estabelecer uma ponte cognitiva entre razão e emoção num organismo ou num indivíduo. Pensadores como Aristóteles não limitaram o olhar para o conjunto de indivíduos que refaziam e recriavam constantemente comportamentos relativos as capacidades primárias do existir e sua real necessidade de permanência e continuidade. Conflitaram razão e emoção num campo macro e micro-social. Na maior parte do tempo, temos a sensação plena de que não morreremos num próximo instante. Mas todos morreremos um dia, e todo existir, por assim dizer, corre o risco de abrir mão do desfrute de algo ao postergar os sentidos dizia Pinker com sabedoria. Donald Campbell1, por sua vez, fez eco à milhares de sábios quando resumiu o resultado da sua pesquisa sobre a busca da felicidade. Segundo ele, “a busca da felicidade é uma receita para uma vida infeliz”2.  Seja como for, o tempo revigora a cada dia o conhecimento ontológico e para o deleite dos homens que questionam a existência, que não se contentam com pontos finais, a imprecisão assume de forma inquietante em nós, homens do saber, o desejo de plenitude e infinitude.

1Pinker, Steve, 1954 – Como a mente funciona – São Paulo: Cia das Letras, 1998. 1. Evolução Humana 2. Neurociência cognitiva 3. Neuropsicologia 4. Psicologia 5.Seleção Naturas.

2Pinker, Steve, 1954 – Comoa mente funciona – São Paulo: Cia das Letras, 1998 – Cap. Desvairados – O Moinho da Felicidade, P. 414

Sade no Brasil

Sade

A cantora Sade confirmou na última quinta-feira (1) que virá ao Brasil em outubro para três apresentações. Os shows acontecerão em São Paulo (20/10 no Ginásio do Ibirapuera), Rio de Janeiro (22/10 no HSBC Arena) e em Brasília (25/10 no Estádio Nilson Nelson). Essa será a primeira visita da britânica ao Brasil.

No repertório, Sade apresentará canções do seu sexto disco de estúdio, “Soldier of Love“, lançado em 2010. A cantora também incluiu na turnê os grandes hits de sua carreira, como “Smooth Operator” e “The Sweetest Taboo“.

A pré-venda para o show do Rio de Janeiro acontece nos dias 3 e 4 de setembro para os clientes HSBC. O público em geral poderá comprar os ingressos a partir do próximo dia 5. Os ingressos custam entre R$240 e R$750 e poderão ser comprados pela internet e na bilheteria do HSBC Arena. As informações sobre os shows em São Paulo e Brasília serão divulgadas em breve.
(fonte: http://www.cifraclub.com.br)

Esboço para a teoria das emoções

Existencialista? Marxista? Para quem deseja desvendar um pouco
mais sobre o conhecimento de Jean-Paul Sartre no papel de
filósofo, indico a leitura do "Esboço para a teoria das
emoções". Leitura quase que obrigatória antes de mergulhar na
sua principal obra filosófica: "O ser e o nada".

Como o próprio autor conclui, a obra
destina-se a servir de experiência para
a constiuição de uma psicologia
fenomenológica. Mostra, com algumas 
ressalvas, que um fato psíquico como a emoção,
ordinariamente visto como uma desordem sem
lei, possui uma significação própria e não
pode ser captado nele mesmo sem a compreensão
dessa significação. Dentre os pensadores
modernos, neste, a eloquência dos
pensamentos impressiona. Por tratar
objetivamente de uma matéria demasiado
complexa, arrisco dizer, necessariamente impírica, pelo
simples fato de só podermos projetar a emoção se existirmos,
independentemente de sua essência, como um fenômeno
exclusivamente humano. 

Diz Jean-Paul Sartre: "O Homem está condenado à liberdade".

Filósofos Modernos, você conhece algum?

Não sei exatamente quando foi o momento na minha vida, ou através de quem, onde sem entender, associei a filosofia com algo velho, puído e chato. Pior, sem a menor noção do que tratava este universo. Rotulei filósofos como “malucos beleza” entre outros “doidões” falantes. Quem diria…

Quanto tempo passou até que o “despertar” do meu interesse tomasse as rédeas filosóficas das minhas inférteis idéias. Nada muito diferente do que ocorreu com outras matérias não menos interessantes, porém injustamente carimbadas com o selo da chatisse. A matemática, a física, a química e por aí a fora, todas por mim mal compreendidas e, pelos professores do ensino básico e médio, desistimuladas. Levante a mão quem nunca assistiu uma aula de ciências exatas achando aquilo uma tortura sem sentindo? Quem, entre os que frequentaram escolas particulares e públicas nesse país, não foi, pelo menos uma vez, vítima do desinteresse e despreparo do próprio mestre em sala de aula, desanimado pelo salário medíocre e abatido pela chatisse do próprio “eu”, afundando em desprazer os demais “eus” que se dispos ensinar? Poderia apontar inúmeros educadores desafortunados que mal compreendiam a importância da pedagogia e suas implicações teórico-práticas na vida dos que careciam, antes de mais nada, o aprender a gostar do conhecimento.

No entanto, mesmo que dessemos “nomes aos bois”, que eu culpasse cada “fessor” pelo meus anos de desinteresse, não mudaria essa realidade que atravessa gerações e segue ministrando doses homeopáticas de desistímulo cultural para a grande maioria dos que frequentam as salas de aulas do ensino público e privado. Pior mesmo, é estar ciente que isso ocorre em todos os níveis do ensino. Lamentável! Talvez, noutra oportunidade volte a questão, no momento ater-me-ei apenas ao tema que deu início a esse texto, a Filosofia.

Foi voluntariamente trilhando os múltiplos caminhos que a Filosofia oferece, vagando por entre escolas filosóficas antigas e contemporâneas, pesquisando influentes pensadores que marcaram época e escreveram seus nomes na história da humanidade, que aprendi o valor deste conhecimento.

FILÓSOFOS MODERNOS

Assim, desde do pré ao pós-socrático, passando pelo silêncioso, improdutivo e divinista período católico-cristão até a filosofia moderna onde pensadores europeus libertaram suas idéias a cerca dos valores éticos, morais, espistemológicos, políticos, sociais, estéticos, etc., trazendo a tona perguntas e respostas pertinentes a vida e existência humanas, aprendo, mais e mais, a questionar tudo o que os homems dizem ser “verdades absolutas”. Homens de grande conhecimento, de pensamentos desprendidos e evoluidos plantaram sementes na terra fértil multidisciplinar da vida humana. Por esse motivo, mergulhado nessa curiosidade atemporal, a filosofia faz parte das minhas leituras favoritas. Despretenciosamente desejo saber o saber de quem muito pensou antes de dizer. Sem ambição de responder as perguntas que atravessam os séculos, sigo nas beiradas do conhecimento alheio, “tentado” a verbalizar acanhados palpites acerca do subjetivo mundo humano. A matéria é vasta, riquíssima e segue ad infinitum enquanto os homens forem homens, enquanto as portas do saber estiverem abertas a toda humanidade.

Quase escapou-me a oportunidade de admirar a importância dessa falácia filosófica milenar. Simplesmente por ter recebido estímulos externos contrários, por ser, enquanto jovem e imaturo, facilmente influênciado pelo gosto alheio de pessoas que preferem educar robôs a formar seres pensantes. Sem a menor preocupação de induzir e seduzir o livre pensar, o criar, o questionar e o compreender que não há limites para o conhecimento e, necessário é para os jovens, apresentar o lado “cool” do saber.

Recentemente, ao bisbilhotar novamente as prateleiras de Filosofia, isoladas de todas as outras, encontrei uma obra, ou melhor, um projeto, por assim dizer, encabeçado por Christopher Belshaw, professor de filosofia e tutor na Open University e, em parceria, Gary Kemp, também professor universitário no Departamento de Filosofia da Universidade de Glasgow, além de outros colaboradores, todos professores de filosofia em universidades de língua Inglesa na América do Norte e no Reino Unido. O livro, traduzido para o Português, é encontrado sob o título “Filósofos Modernos”. Porém, na sua versão original faz referência aos doze filósofos modernos mais influentes da língua inglesa. Não é preciso dizer que da emparanhada filosófica prateleira da livraria, acomodou-se no paciente criado mudo sob a claridade da minha luminária.

Pensar que a evolução do conhecimento, mesmo parecendo lenta para os padrões cronológicos da vida, corre feito papa-léguas nas rodovias do saber humano. Evolui o homem e toda sua linguagem na complexa tentativa de explicar-se a si próprio. Nunca desdenhando o saber primitivo, nunca sem reposicionar pensamentos que outrora foram ignorados, nunca sem considerar que, para evoluir, a filosofia tornar-se-ia matéria cada vez mais especializada.

Então, findo este texto com as palavras de Scott Soame: “A filosofia tem se tornado uma disciplina altamente organizada, feita por especialistas para especialistas. O número de filósofos cresceu exponencialmente, expandiu-se o volume de publicações e multiplicaram-se as subáreas de rigorosa investigação filosófica. Hoje, não só o campo mais amplo da filosofia é demasiadamente vasto para uma única mente, mas algo similar também é verdadeiro em muitas de suas subáreas altamente especializadas.”

Pode apostar, a filosofia é, sem sombra de dúvida, no melhor dos sentindos, “uma viagem”!

Tudo que é sólido desmancha no ar

Marxista declarado, Marshall Berman escreveu nos anos 80 sobre a influência da modernidade nos séculos XIX e XX. Destacou-se como um dos últimos intelectuais capazes de falar com a mesma desenvoltura de literatura, política e arquitetura. Este novaiorquino crescido no Bronx, acompanhou desde da infância homens como Robert Mozes modificar completamente a paisagem, história e a poesia cotidiana das cidades. Aprofundou seus estudos buscando na literatura européia fortes traços de modernidade e sua influência na história do homem atual.

“No curso de todo este livro, busquei não apenas descrever a vida do diálogo modernista, mas também continuá-la”. (M. Berman)

Em sua obra faz a releitura das obras de pensadores consagrados como Baudelaire ao Manifesto Comunista de Marx e Engels, do Fausto de Goethe ao homem do subterrâneo de Dostoievski, entre outros.

“Homens e mulheres modernos precisam aprender a aspirar à mudança: não apenas estar aptos a mudanças em sua vida pessoal e social, mas ir efetivamente em busca das mudanças, procurá-las de maneira ativa, levando-as adiante. Precisam aprender a não lamentar com muita nostalgia as “relações fixas, imobilizadas” de um passado real ou de fantasia, mas a se deliciar na mobilidade, a se empenhar na renovação, a olhar sempre na direção de futuros desenvolvimentos em suas condições de vida e em suas relações com os outros seres humanos”.  (Trecho da obra onde Marshall Beman discorre um pouco da sua visão marxista).

Tudo que é sólido desmancha no ar” apresenta o moderno como experimento da existência pessoal e social. Uma visão do mundo e de si mesmo em perpétua desintegração e renovação, agitação e angústia, ambiguidade e contradição: é fazer parte de um universo onde tudo que é sólido se desmancha no ar.