Livresco talvez

antes que o sol acorde
aporto no café de todos os dias
ancorado no alvoroço apressado de um entra e sai
repito-me no mesmo canto
na xícara com café, leite e letargia

toda manhã

a percorrer páginas
desvendar mundos alheios
todos distintos, alguns parecidos
outros distantes, há muito esquecidos

no meu mundo

alarido de gente passante
vai-se embora desapercebido
foge do alcance quanto mais distante
feito eco que sussurra no ouvido

ignoro

eis-me ali novamente
como outras e outras e outras vezes
tantas em páginas de mil histórias lidas
mergulhando em múltiplas vidas
de desiguais interesses

o tempo que move o dia

anuncia o atraso de sempre
e num suposto último parágrafo
alerta a hora da partida
onde deixo-me na caneta que marca
sufocada entre as páginas expremidas
feito tinta paciente a aguardar

a dose diária de realidade e fantasia

dscf0666

(batschauer)

 

 

 

 

 

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