O que nos falta mais, saúde ou ética?

Não é novidade alguma o problema da saúde pública em nosso país. De forma bastante sintetizada, elencamos algumas falhas na máquina pública que administra a saúde dos brasileiros como: a carência de estrutura médico-hospitalar, a falta de investimentos nos profissionais da saúde, o descaso do governo em priorizar a qualidade do atendimento, a ineficiente fiscalização, a desorganização, entre tantas outras realidades que se apresentam nesta área. Porém, há enraizada doença já diagnosticada e que se alastra viralmente nos setores públicos provocando os sintomas supracitados. A enfermidade na ética profissional e política.

Aparentemente, saúde pública se faz com planejamento e investimentos bem direcionados, com conhecimento especializado, com pró-atividade e modelos teórico-práticos bem sucedidos. Também nos parece óbvio que saúde pública requer dinamismo e responsabilidade, carece de paixão e compaixão, também de honestidade e disciplina. No entanto, não podemos esquecer que saúde pública não se faz apenas com organizações e cargos responsáveis por sua gestão, com profissionais capacitados e bem pagos, com estruturas adequadas e dinheiro. Saúde, impreterivelmente, tem início nas decisões dos governantes e legisladores. Nas mãos e canetas daqueles que, raramente, para não dizer, nunca, fazem uso dessa estrutura pública e sim, garantem a própria saúde nas instituições privadas e elitistas. Não experienciam a realidade dos que ficam em filas, dos que não podem pagar por planos privados, dos que não tem opção quando o momento exige uma emergência, dos desempregados e de todos os homens, mulheres e crianças que adoecem e morrem prematuramente sem sequer conseguir uma consulta. Superlotação, má vontade, negligência, imperícia, custam tão caro aos cofres públicos quanto a falta de ética e moral custa para o bolso do contribuinte. É com essa doença crônica que o dilema da saúde nesse país parece viver em constante conformação. Problema esse, que sempre acaba mal para os mesmos que se espremem nos corredores dos hospitais, nos postos de saúde ou nos comícios prometedores. Para os que dependem mais da sorte do que da administração pública para se manterem vivos nessa realidade.

Não basta investir milhões na saúde, em salários, em estruturas, em medicamentos, fármacos e recursos humanos, sem antes pensarmos num tratamento emergencial para o câncer que se alastra no poder público feito epidemia devastadora. Dizimando a ética, a moral e o bom senso num país que está adoecido pela ganância e corrupção dos seus próprios filhos.

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Uma resposta em “O que nos falta mais, saúde ou ética?

  1. A ética é uma palavra que não pode sair da moda. Tem que ser estudada e praticada para o bem-estar da sociedade. Na verdade, a ética se confunde com a vida abundante. Uma vida abundante para todos. Se não for assim, não é ética. Com o desenvolvimento da sociedade na atualidade, o fazer o bem para o maior número de pessoas não é mais suficiente…. pois uma pessoa tem direitos iguais a outra….
    Parabéns pelo blog!

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