Natureza, segundo Francis Bacon, a fonte do saber.

      No presente texto abarcarei os primeiros passos da produção e formulação científica que tiveram como relevante marco histórico a produção literária e filosófica de Francis Bacon, ainda num período onde predominavam os pensamentos escolásticos onde, a sombra da metafísica especulativa e dos grandes sistemas teóricos, a natureza não era posta a prova, distante da experimentação, dos sentidos e de um método que objetivasse mais do que um saber religioso e suas verdades finais. Aqui, procurarei sintetizar a importância, a influência e a contribuição deste filósofo bretão que apostou nos seus sentidos, na observação prática e numa nova metodologia que mudariam o rumo da história e da educação do homem moderno.

     É importante salientar que durante o século XVI tanto a Inglaterra quanto a França ascendiam economicamente através de uma intensa atividade comercial, a classe burguesa, fortalecida naquele momento, tornava-se politicamente influente, a coroa cedia espaço ao regime parlamentarista que, por sua vez, se fortalecia e gradativamente reduzia a força da Igreja e sua influência nos assuntos do Estado. Por fim, esses fatos culminariam num dos fatores decisivos para a revolução industrial e consequentemente abriram uma nova era que revelava o empirismo clássico e seus principais nomes.

    Esta filosofia empirista revelada estava diretamente ligada a formação da Royal Society of London for Improvement of Natural Knowlegde (Sociedade Real de Londres para o Progresso do Conhecimento Natural), patrocinada pelos ricos comerciantes que, por razões obvias, tinham interesse nesse conhecimento. Das navegações as linguagens intercontinentais a ciência experimental ganhava corpo e interagia mais e mais com a filosofia (MARCONDES, 2010, p. 184)

      Nesse contexto revelaram-se na Inglaterra grandes nomes da ciência e filosofia como: Robert Boyle, Robert Hooke, Isaac Newton, John Locke, Thomas Hobbes, David Hume, paralelamente na França destacavam-se Pierre Gassendi, Auguste Comte, Descartes e poder-se-ia citar tantos outros pesquisadores e filósofos igualmente importantes.

     Aqui, destaco o inglês Francis Bacon, certamente a mola propulsora do pensamento moderno, dando o golpe final na ciência teórica e especulativa clássica ao rejeitar definitivamente o método dedutivo e a escolástica. Bacon, defendendo o método experimental, valorizando uma metodologia científica, produziu a obra Novum Organum que notoriamente formalizou o marco do cientificismo indutivo.

   Procuramos cercar nossas reflexões dos maiores cuidados, não apenas para que fossem verdadeiras, mas também para que não se apresentassem de forma incômoda e árida ao espírito dos homens, usualmente tão atulhado de múltiplas formas de fantasia. (FRANCIS BACON, 1620)

     Não distante, e nem menos importante, outra publicação baconiana veio a tona fortalecendo ainda mais seu posicionamento cientificista relativo ao conhecimento da natureza. A obra Nova Atlântida trazia em seu bojo um reino utópico e contendo talvez o primeiro modelo de instituição científica. Nas palavras de Roberto Carlos Simões Galvão em seu artigo Francis Bacon: Teoria e Método e Construções para a Educação evidenciam a influência desta obra na educação vindoura.

Em A Nova Atlântida o autor antecipou muito do que as universidades atuais e seus pesquisadores vêm fazendo, e muito do que se encontra ainda como aspirações no campo científico. (GALVÃO, 2007, p. 39)

     Diante do exposto, mesmo que sinteticamente, podemos concluir que as intenções baconianas de formar um método experimental eficaz e longe de ser conclusivo propõem um modelo capaz de suplantar o caráter religioso e metafísico da educação medieval e gradualmente os substituí por um sistema concreto e até então, desconhecido. “A educação como ciência, representava agora um meio em busca de um fim, qual seja, o domínio do homem sobre a natureza”. (GALVÃO, 2007, p. 41)

      Complementarmente, segundo Danilo Marcondes em Iniciação à História da Filosofia, para Bacon, o conhecimento se desenvolvia na medida em que o método correto era adotado e tinha a experiência como guia. Nessa mesma linha, reafirmando e concluindo, a importância do conhecimento sobre a natureza, seus fenômenos e derivações, representavam a modernidade, uma nova fase nascida em meio ao empirismo da época. E, em defesa dessa modernidade, de um modelo de ciência ativa, prática e aplicada, de um pensamento crítico que superasse as superstições e preconceitos, só assim seria permitido ao homem o progresso e aperfeiçoamento da sua condição (MARCONDES, 2010 p. 184). 

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