Você pensa que vivemos em um mundo pior ou melhor do que antigamente?

A pergunta acima foi lançada num Forum Filosófico e tinha como orientação “a forma como vemos nosso mundo hoje”, diante de tanta evolução, de novas tecnologias, do super acesso a informação, da evolução científica, etc. Enfim, por tratar-se de um tema tão “batido”, porém sempre atual e após ler as opiniões dos colegas, muitas otimistas, outras nem tanto, resolvi expor minha opinião resumida e certamente imprecisa.

Antes de mais nada, é difícil responder essa questão por tratar primeiramnete de uma questão  pessoal, por isso, mutável,  e por fim por tratar de uma relação do passado com o presente, sendo que esse último carrega enorme relatividade se perguntarmos “em relação ao quê ou a quem”. Entendo que o peso de quando e quanto é esse “antigamente” (décadas, séculos, etc.) ou esse agora (dias, horas, segundos, etc) , podem estabelecer comparativos complexos. Exemplifico: Na minha infância (tempo relativo ao meu Eu), década de 70(tempo relativo aos costumes do período), na pequena cidade que vivia (tempo relativo a geografia política-economica), brincava nas ruas sem medos, sem estresses, hoje, nessa mesma cidade que já fora pacata,  onde hoje (tempo relativo aos costumes do período) não há mais como permitir o mesmo para nossos filhos, a mesma liberdade.  Assim, precisariamos experienciar todos os tempos para melhor julgar, hipótese inexistente por hora, quiçá descubra-se uma máquina que controle o tempo, até lá ficamos limitados. Além disso, sobre quais aspectos seriam pior ou melhor? Sociais? Econômicos? Culturais? Ambientais? Tecnológicos? E por aí a fora. Certamente tempo e lugar são questões que modificam nossa perspectiva, nossa compreensão e julgamento. Temos que considerar, também, o Eu de cada um em cada momento e sobre cada posicionamento acerca da realidade vivida, experimentada. Tanto na formação de valores do indivíduo quanto saúde, condições sociais, educacionais e muitos outros reflexos externos. Poderia afirmar que hoje, nesse exato momento, tenho a sensação de que o mundo está melhor se analisarmos do ponto de vista da longividade (saúde), dos recursos para se obter confortos e prazeres, do alcance a informação, dentre outras coisas que dão suporte para alegarmos, mesmo que imprecisamente, sentimento de otimismo e felicidade coletiva.

Entretanto, a médio e longo prazo, quando penso no meio ambiente, após rever a minha própria história e comparo-a com o presente, sou pessimista. Sinto-me invadido por uma descrença  que o mundo tornar-se-á melhor ou esteja para se tornar melhor do que já foi um dia. Extraimos, erradicamos, roemos o planeta sem pensar numa forma de equilíbrio a longo prazo, sem exergarmos o óbvio para todos: “o amanhã virá e os recursos naturais são finitos”. Prosseguirmos numa espécie de “frenesi evolutivo” consumista onde restará em alguns anos um planeta modificado e desprovido de recursos para atender a todas espécies que deles necessitam. A título de curiosidade, sugiro fazer um cálculo mental simples e rápido sobre quantas pessoas vivem na sua cidade, lembrando que cada pessoa produz em média 1 kilo de lixo inorgânico por dia, e um pouco mais de 2 kilos de lixo orgânico (entre alimentos e excrementos) você verá que não há como, sem planejamento bem orientado, darmos um destino adequado para tudo isso. Diante desses números,  se pensarmos numa cidade com 100 mil habitantes, temos diariamente 100 toneladas de lixo inorgânico e aproximadamente 200 toneladas de lixo orgânico, ou seja, essa mesma cidade produzirá anualmente 109.500.000 kilos de lixo. Conseguem imaginar essa mesma conta em cidades como São Paulo, Cidade do México, Tóquio, Nova York, entre outras, todas com mais de dez milhões de habitantes?  E os restos humanos se acumulam em proporções cada vez maiores. O consumo mundial cresce, cresce na mesma proporção o volume de dejetos. Esse é um cenário entre tantos outros que coexistem paralelamente, todos relacionados com problemas graves e urgentes como escassez da água, poluição do ar, esgotamento das reservas minerais, aniquilação da fauna e da flora e assim por diante. Mesmo tomados pelo otimismo alheio, um de que faremos algo para mudar, basta ligarmos a TV em qualquer noticiário e uma exurrada de notícias sobre  fraudes e corrupções nos governos do mundo todo chegam ao vivo e a cores em nossas casas.

Análogamente, hoje, podemos imaginar a humanidade como células cancerígenas num organimo saudavel, no caso o planeta em que vivemos, porém com sistema imunológico (meio ambiente) debilitado. Certamente, agindo dessa forma, estamos propensos ao fim antes mesmo de chegarmos a descobrir um antídoto para a cura. Podemos pré-dizer que esse mesmo mundo sem o homem talvez se torne melhor. Mas os paradoxos seguem coexistindo. Essa fórmula sócio-econômica atual me leva crêr que a Era do homens, nesse ritmo, tende ao fim.

(batschauer)

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Uma resposta em “Você pensa que vivemos em um mundo pior ou melhor do que antigamente?

  1. Marcelo,

    Sem querer pensar muito sobre o assunto
    (… isso às vezes me inquieta) e também porque costumo fazer “a minha parte” sabes disso, pois que tenho me tornado “ecochata” até…
    Pois!
    Separo meu lixo e o que sobra para o lixeiro é um mínimo dos mínimos. Sempre que penso em comprar um novo produto, penso no destino do antigo e acabo ficando no antigo mesmo.
    E assim fico aqui um tanto (e até) alienada no meu quintal e tal tem me deixado mais inteira, centrada.
    Feliz?
    Nem sei.
    Em paz, talvez.

    Beijão, Marcelo!
    Saudadedeti

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