O existir

Papo filosófico. Para os que conhecem cabe a complementação, para aqueles menos familiarizados com o termo ai vai uma super síntese do significado de Ontologia. Portanto, Ontologia entenda-se o estudo do ser enquanto ser, suas categorias, princípios e essência. Querendo saber mais sobre o assunto posso indicar algumas fontes interessantes, não se intimide em perguntar, pois não tenho a menor vergonha de dizer que pouco sei, embora muito leia.

Trouxe para meu blog este assunto fecundo pois a poucos dias foi debatido  durante uma avaliação relativa a matéria Ontologia I do curso de Filosofia da UNISUL, cadeira da qual participo. Diante do tema que muito me interessa e larga é sua complexidade, decidi publicar uma síntese das minhas ideias para compartilhar com os demais interessados na matéria e, quiçá, somarmos conhecimento neste canto amador do saber ainda semente. Alerto aos leitores que minha opinião, embora amadora, resulta de um velho rotineiro interesse em diversas obras de filósofos e cientistas consagrados como: Descartes, Sartre, S. Pinker, D. Goleman, A. R. Dámásio, R. D. Prechet entre outros de grande relavância. Espero não desapontar ninguém e,  se deste ponto a polêmica emergir, parte da minha intensão de somar estará realizada. Parafraseando Descartes, então, por hora penso e se penso, logo existo.

Formulo aqui a ideia de que em geral não podemos fazer julgamentos concretos com base apenas na lógica, pois as informações que dispomos geralmente são incompletas ou ambíguas. Sabe-se que os sentidos e a percepção enquanto capacidades humanas afloram respostas aos acontecimentos externos e internos e, dessa forma, nos mantém informados sobre qualquer ameaça à integridade do ser. Através do sentir somos estimulados a moldar nosso comportamento para obtermos o que desejamos, bem como, evitar o que tememos. Reconhecer a relevância dos sentidos no processo de compreensão do existir não exclui aqui, de maneira alguma, a lógica como forma de raciocínio para estabelecer uma ponte cognitiva entre razão e emoção num organismo ou num indivíduo. Pensadores como Aristóteles não limitaram o olhar para o conjunto de indivíduos que refaziam e recriavam constantemente comportamentos relativos as capacidades primárias do existir e sua real necessidade de permanência e continuidade. Conflitaram razão e emoção num campo macro e micro-social. Na maior parte do tempo, temos a sensação plena de que não morreremos num próximo instante. Mas todos morreremos um dia, e todo existir, por assim dizer, corre o risco de abrir mão do desfrute de algo ao postergar os sentidos dizia Pinker com sabedoria. Donald Campbell1, por sua vez, fez eco à milhares de sábios quando resumiu o resultado da sua pesquisa sobre a busca da felicidade. Segundo ele, “a busca da felicidade é uma receita para uma vida infeliz”2.  Seja como for, o tempo revigora a cada dia o conhecimento ontológico e para o deleite dos homens que questionam a existência, que não se contentam com pontos finais, a imprecisão assume de forma inquietante em nós, homens do saber, o desejo de plenitude e infinitude.

1Pinker, Steve, 1954 – Como a mente funciona – São Paulo: Cia das Letras, 1998. 1. Evolução Humana 2. Neurociência cognitiva 3. Neuropsicologia 4. Psicologia 5.Seleção Naturas.

2Pinker, Steve, 1954 – Comoa mente funciona – São Paulo: Cia das Letras, 1998 – Cap. Desvairados – O Moinho da Felicidade, P. 414

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2 respostas em “O existir

  1. Realmente quem busca a felicidade é infeliz, feliz se torna aquele que sabe encontrá-la nas pequenas coisas do dia-a-dia, como um pôr do sol ou o cheiro de terra molhada após a chuva. Viver é uma escolha, estar vivo é o que a vida lhe impõe…

    Muito legal o texto! 😉

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