Ermo sentido

Meus pés cansados,
dentro dos sapatos que apertam calos antigos,
percorrem distâncias sem fim.
O cansaço é agora um cancro da vontade.

Meu vazio angustiante,
oco feito tronco velho,
cresce no tempo galopante.
O desgaste é agora um tumor desenfreado.

Nas minhas entranhas as
estranhas e embaralhadas sensações
desgastam as emoções que se confundem.
O presente, sem despedidas, foi embora num instante atrás.
Não o alcanço mais.

O silêncio me faz lembrar,
fulgurante quase todo tempo,
que desfaleci na memória
do momento que não me remonta mais.
No passado restam vestígios dos sonhos empoeirados.
De muitas experiências inacabadas.

As mãos que firmemente me seguravam
retrairam quando mais precisei.
A atenção necessária dissipou no ar,
caí como folha seca
enquanto todas as promessas igualmente ressecavam.
Foi como o frio invernal gelando minh’alma.

A verdade veste fantasias e nada mais.
Aprendi assim, sentindo.
Agora, sobro nesta lucubração enferma,
segurando na ponta dos dedos
a pena que me desenha numa nova realidade.
Talvez efêmera, talvez não.

(batschauer)DSCF0218

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