Rascunho

Agora, não me leio com precisão

Sinto-me ilegível caligrafia
Em versos sentimentos escrevia
Hoje reescrevo o poema de solidão
triste, só, sem rima.

Há mais interrogações do que pontos finais
Escrevo-me morfológico entre vírgulas
Prefixo-me um não e sufixo-me em verdade
Reciclo-me nos signos, nas letras
Inverdades não formam nossa língua

Verso de pé-quebrado canta meu ritmo
Desato a gramática vida que regra a pena no papel
Com todos iguais e seus sinônimos
Com todos os opostos dos seus antônimos
Disparo verborreicas injúrias.
Contra meu eu que repete os mesmos erros biográficos
Que insiste na devassa poesia do amor
Desatento, leio no prefácio omisso o anúncio final
Conformo-me com a impensada e dura palavra proferida
E, no epílogo desse conto de faz de conta,
Não encontro mais seus adjetivos
Faltam-me vitupérios vocabulares para
Exprobrarem sentimentos líquidos
Desfaço-me do rabiscado rascunho
e torno a escrever meu novo capítulo

(batschauer, 2012)
(Em tempo meu agradecimento pela participação da escritora Marlene Severino)

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