Kátharsis

Feito galho podre, caio
Alarido de madeira seca que racha
Espinhoso graveto que parte
Parte da vida que acaba

Na queda, quebro o silêncio da mata
Escorrem lágrimas de orvalho na casca
Quase sem importância para o tempo
Que sopra nova brisa, novo vento
e deixa rastro líquido no velho dorso sem viço

A luz de mais um dia se apaga

Oco na escuridão aguardo
o tempo paciente a misturar minhas partes na terra
Quieta esperança de um pretenso renascer
vigorosa seiva de raízes seguras
Com membros-ramos para alcançarem o céu
A buscar outros horizontes
distantes desta infértil terra
Onde tudo é apenas árido mito
e sementes mudas de promessas sem fim

Foto: Marcelo P. Batschauer

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2 respostas em “Kátharsis

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