Imerso na desordem

Novamente busco silêncio dentro de mim.
Cansado da algazarra que a vida faz.
Da bagunça social na qual mergulho todos os dias.
Que começa ao amanhecer, onde haviam galos cantantes,
e agora é o bicho homem que ressoa seus motores a combustão,
seus aceleradores do cotidiano.

A quietude pacificadora desaparece gradativamente.
Desapercebida, seu fim começa lá, na infância.
Aproxima-se feito serpente, rastejando pelo tempo.
Cheia de peçonha e repleta de humanidade diária vive
até o fim dos dias de quem supostamente tem
o sortilégio de envelhecer em meio ao caos urbano.

Se somos diferentes por que fazemos tudo igual?
Repetindo, repetimos, repetido, repito…
Repositório de mesmices transformam os dias em gêmeos.
Igual, o mesmo, idêntico.
Descuidados, tomamos emprestado os sonhos dos outros
para locupletar a carência de um próprio, original e satisfatório.
O pretexto é sempre o mesmo:
É tempo que falta para viver a vida que não desacelera.

Ladeira abaixo tento frear a vida.
Mas, acabo submerso na bagunça dos valores postiços.
Desordem que desce feito bola de neve,
numa avalanche de coisas belas e sujas.
De ausência moral e carência de princípios.
Barulho do humano metal ressoa intermitente
a cada manhã e é interrompido a cada noite de sono.
Como uma breve pausa para um relativo recomeço
repete-se, toda noite que vira dia,
todo dia que implora por mais uma noite.

Reduzo a música que ouço no carro para aumentar
o ruído gratuito da cidade homem.
Lá fora o barulho se repete diferentemente igual a cada esquina.
Risos, gritos, gemidos, buzinas.
Carros, motos, aviões, construções e tudo mais…
Formam uma particular e desenfreiada usina sonora,
uma caixa sem acústica de Pandôra.
A melodia da vida natural orquestrada pelo sinfonia do progresso.
O homem animal perdendo o bom senso.
Descompensada razão pseudoracional vencida pelo acaso
segue girando o mundo do surdos que houvem, repete-se
no dos mudos que gritam e dos homens que não se entendem.

Um canto num canto de silêncio busco para deixar alguma nota,
alguma melodia em meio a essa folia, que nos sirva de guia,
que componha uma nova canção de vida, onde os ouvidos
possam escolher o que querem ouvir assim como os olhos podem se fechar
para aquilo que não querem enxergar.
Sonora, é também a utopia da vida.

(batschauer)

Brighton Beach, UK

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