Filósofos Modernos, você conhece algum?

Não sei exatamente quando foi o momento na minha vida, ou através de quem, onde sem entender, associei a filosofia com algo velho, puído e chato. Pior, sem a menor noção do que tratava este universo. Rotulei filósofos como “malucos beleza” entre outros “doidões” falantes. Quem diria…

Quanto tempo passou até que o “despertar” do meu interesse tomasse as rédeas filosóficas das minhas inférteis idéias. Nada muito diferente do que ocorreu com outras matérias não menos interessantes, porém injustamente carimbadas com o selo da chatisse. A matemática, a física, a química e por aí a fora, todas por mim mal compreendidas e, pelos professores do ensino básico e médio, desistimuladas. Levante a mão quem nunca assistiu uma aula de ciências exatas achando aquilo uma tortura sem sentindo? Quem, entre os que frequentaram escolas particulares e públicas nesse país, não foi, pelo menos uma vez, vítima do desinteresse e despreparo do próprio mestre em sala de aula, desanimado pelo salário medíocre e abatido pela chatisse do próprio “eu”, afundando em desprazer os demais “eus” que se dispos ensinar? Poderia apontar inúmeros educadores desafortunados que mal compreendiam a importância da pedagogia e suas implicações teórico-práticas na vida dos que careciam, antes de mais nada, o aprender a gostar do conhecimento.

No entanto, mesmo que dessemos “nomes aos bois”, que eu culpasse cada “fessor” pelo meus anos de desinteresse, não mudaria essa realidade que atravessa gerações e segue ministrando doses homeopáticas de desistímulo cultural para a grande maioria dos que frequentam as salas de aulas do ensino público e privado. Pior mesmo, é estar ciente que isso ocorre em todos os níveis do ensino. Lamentável! Talvez, noutra oportunidade volte a questão, no momento ater-me-ei apenas ao tema que deu início a esse texto, a Filosofia.

Foi voluntariamente trilhando os múltiplos caminhos que a Filosofia oferece, vagando por entre escolas filosóficas antigas e contemporâneas, pesquisando influentes pensadores que marcaram época e escreveram seus nomes na história da humanidade, que aprendi o valor deste conhecimento.

FILÓSOFOS MODERNOS

Assim, desde do pré ao pós-socrático, passando pelo silêncioso, improdutivo e divinista período católico-cristão até a filosofia moderna onde pensadores europeus libertaram suas idéias a cerca dos valores éticos, morais, espistemológicos, políticos, sociais, estéticos, etc., trazendo a tona perguntas e respostas pertinentes a vida e existência humanas, aprendo, mais e mais, a questionar tudo o que os homems dizem ser “verdades absolutas”. Homens de grande conhecimento, de pensamentos desprendidos e evoluidos plantaram sementes na terra fértil multidisciplinar da vida humana. Por esse motivo, mergulhado nessa curiosidade atemporal, a filosofia faz parte das minhas leituras favoritas. Despretenciosamente desejo saber o saber de quem muito pensou antes de dizer. Sem ambição de responder as perguntas que atravessam os séculos, sigo nas beiradas do conhecimento alheio, “tentado” a verbalizar acanhados palpites acerca do subjetivo mundo humano. A matéria é vasta, riquíssima e segue ad infinitum enquanto os homens forem homens, enquanto as portas do saber estiverem abertas a toda humanidade.

Quase escapou-me a oportunidade de admirar a importância dessa falácia filosófica milenar. Simplesmente por ter recebido estímulos externos contrários, por ser, enquanto jovem e imaturo, facilmente influênciado pelo gosto alheio de pessoas que preferem educar robôs a formar seres pensantes. Sem a menor preocupação de induzir e seduzir o livre pensar, o criar, o questionar e o compreender que não há limites para o conhecimento e, necessário é para os jovens, apresentar o lado “cool” do saber.

Recentemente, ao bisbilhotar novamente as prateleiras de Filosofia, isoladas de todas as outras, encontrei uma obra, ou melhor, um projeto, por assim dizer, encabeçado por Christopher Belshaw, professor de filosofia e tutor na Open University e, em parceria, Gary Kemp, também professor universitário no Departamento de Filosofia da Universidade de Glasgow, além de outros colaboradores, todos professores de filosofia em universidades de língua Inglesa na América do Norte e no Reino Unido. O livro, traduzido para o Português, é encontrado sob o título “Filósofos Modernos”. Porém, na sua versão original faz referência aos doze filósofos modernos mais influentes da língua inglesa. Não é preciso dizer que da emparanhada filosófica prateleira da livraria, acomodou-se no paciente criado mudo sob a claridade da minha luminária.

Pensar que a evolução do conhecimento, mesmo parecendo lenta para os padrões cronológicos da vida, corre feito papa-léguas nas rodovias do saber humano. Evolui o homem e toda sua linguagem na complexa tentativa de explicar-se a si próprio. Nunca desdenhando o saber primitivo, nunca sem reposicionar pensamentos que outrora foram ignorados, nunca sem considerar que, para evoluir, a filosofia tornar-se-ia matéria cada vez mais especializada.

Então, findo este texto com as palavras de Scott Soame: “A filosofia tem se tornado uma disciplina altamente organizada, feita por especialistas para especialistas. O número de filósofos cresceu exponencialmente, expandiu-se o volume de publicações e multiplicaram-se as subáreas de rigorosa investigação filosófica. Hoje, não só o campo mais amplo da filosofia é demasiadamente vasto para uma única mente, mas algo similar também é verdadeiro em muitas de suas subáreas altamente especializadas.”

Pode apostar, a filosofia é, sem sombra de dúvida, no melhor dos sentindos, “uma viagem”!

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