Sem cortes

A navalha corta seco, profundo.
Corta a carne, sangra muito.

O frio corta a pele, e no fundo
Corta também a vontade, congela tudo.

O medo corta a ousadia, impensada
Talha do desejo, sorte frustrada.

A solidão corta o tempo, avança
Rasga a alma, emudece tudo, cansa.

A raiva corta a paz, afasta todos
Estraçalha a razão, arde feito fogo.

A dor corta a alegria, adoece o ser
Rompe a evolução, não se deixa esquecer.

A mentira corta a admiração, é insegurança rala
Decapta o respeito, emerge da insensatez

O lamento corta a alma, é pobre
Dilacera a vida, aprisiona o homem

Da navalha ao lamento
Esmago todos 

Sou pedra diamante
Sólido de amor 

Sincero querer
Cheiro de terra e mato verde

Vivo, como beijo apaixonado
Entreolhar de olhos vitrados

Um colo, um carinho
Despertar de corpos
Sair da cama de mansinho

Uma vida toda sem corte
Um amor por inteiro. 

Sem contar com a sorte
Sem esperar pela morte
E sim, por você
Que ainda não veio

(batschauer)
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2 respostas em “Sem cortes

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