Verdes Mudos

Hoje estão mais verdes
Ao fitá-los, pela manhã, fiquei feliz por vê-los brilhar
Fulgor único de quem enxerga um amigo
Estão ali, reluzentes no espelho, vivos

Reflexos sinceros do mesmo olhar
Dizem para mim mesmo quão belos são os mudos verdes meus
O mesmo do mar sereno
Os mesmos que vislumbram amor

Hoje estão mais verdes
Por reconhecerem que nem tudo em mim é belo
Por compreenderem que atitudes se distinguem de verdades
Guiam meus sonhos, quando estão acordados

Sim, verdes luzes mudas que não exaurem nunca
Iluminam meu caminho
Mansas são suas falas silenciosas
Tão verdadeiras, tão maliciosas

Hoje mais verdes
Acordaram sorrindo
Sonolentos e cansados das noites longas
Sinceros amigos a espreita, atentos

Pobres vidros mudos meus
Precisam de outras lentes para focar
É a névoa tempo que turvam-lhes a visão
Ora alertas, ora não
Hoje os vejo com alegria
Sinto neles harmonia
São os mesmos a dizerem sinceros agradecimentos
A voarem longe sem sair do lugar
A se perderam no horizonte
Da vida ou de um ponto qualquer

Olhos de tantos desejos
Da fuga do exílio do dia a dia
Dos longos caminhos da terra
Da borda do abismo
No eirado do meu mundo

Bom vê-los assim, orientais
Esticadas lamparinas horizontais
Ardem como fogo e lavam como água
Amigos sinceros, amigos da verdade.

Hoje, me olham os verdes anéis
Áureos presentes para alma
Inocentes presenças cristalinas
Doces recordações gravam
De toda luz recebida
Desenham cores
Aquarelas da minha vida  

­(batschauer)

Scotland, UK - primavera de 2006 - Foto: Marcelo P. Batschauer

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Uma resposta em “Verdes Mudos

  1. Marcelo,

    Voar longe sem sair do lugar,
    reinventar o dia, sem viajar
    achar o do lugar comum, o de sempre,
    o melhor lugar do mundo
    e o melhor momento,
    o instante presente,
    o “instante-já” como dizia Clarice,
    que é tudo o que se tem: nada mais que isso,
    e é preciso valorizar,
    respirar, sorvê-lo a cada respiração!

    Venço a distância daqui (um detalhe apenas)
    e te visualizo: teu verde olhar
    a verdejar o mundo a tua volta,
    tons e sobretons
    e como numa aquarela,
    deixando-se impregnar!

    Muitos beijos, meu amigo!

    Marlene

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