A Metamorfose

“De médico e louco todos temos um pouco”. Cresci ouvindo essa frase.

Faz sentido sim, todos temos um pouco de loucura e a experiência de remediar a saúde, inclusive remediar outras coisas. Mas, no mesmo sentido, esta frase poderia ser escrita também da seguinte forma:

“De escritor e louco todos temos um pouco”.

Então, o ilustre Kafka, Sr. Franz Kafka, é a prova histórica desse fato. Faltam-me ler algumas obras para que não cometa nenhuma injustiça. Por isso, não proclamo a genialidade do autor e nem lanço confetes e serpentinas sobre os escritos até aqui lidos. Em especial “A Metamorfose” e o “Veredicto”. Necessário relevar a qualidade da tradução como fator importante na exposição e clareza das idéias. Boa ou má, influi diretamente na obra. Por isso, baseio minha ótica sob a tradução da L&PM Tradutores.

Após ler A METAMORSE, seguido de “O VEREDICTO”, confesso certo desapontamento com o autor. Obviamente é uma opinião leiga, que não tem o sublime discernimento literário, pretendendo apenas deixar aqui uma nota de um aficionado por leitura.

Compararam-no com Dostoiévski, Tolstói, entre outros. Sinceramente? Achei um exagero. O complexo e complexado Kafka é respectivamente mais simplista nos textos e complicado biograficamente falando. Sanatórios fizeram parte da sua evolução assim como os esudos legais. Numa gangorra psicológia o autor escreveu suas novelas e transcreveu-se nelas, é o que afirmam os “experts“.

Talvez, O PROCESSO, considerada sua obra prima, venha desmentir minha humilde opinião. Mas até aqui, o que li, foi uma história sem começo, meio e fim. Bem escrita, sem dúvida, mas sem nexo, sem porques e, se como afirmam os críticos, diz respeito a vida do próprio Kafka, uma de relações frutradas entre outros enígmas, não deixa fácil ao leitor essa interpretação. Transcrevo abaixo um pequeno trecho da obra A METAMORFOSE, onde justifico minha afirmação:

[O grave ferimento de Gregor, que o fez sofrer por mais de um mês – a maçã ficou, uma vez que ninguém teve coragem de retirá-la, alojada na carne como recordação visível42…]

Isso não me parece muito razoável. Porém a nota de rodapé  sobre este trecho diz:

[42 A maçã já foi interpretada por vários analistas da obra de Kafka como referência ao relato bíblico da Queda, e aqui isso parece tornar-se evidente. Ela parece ser, de fato, a marca do “pecado original”, que em Kafka – em Gregor – é semelhante ao pecado de existir…]

Como se fosse simples chegarmos a tal interpretação, os críticos viajam e vão além:

[…Hellmuth Kayser vai além. Depois de referir que Gregor só é – sempre – atingido por trás, ele vê na maçã cravada nas costas um desejo masoquista de fecundação, um coitus per anum incestuoso.]

Oras, convenhamos que se o objetivo era fazer uma novela, mesmo que essa tivesse o sutil desejo de revelar-se autobiográfica, dar-se-ia menos importância a omissão das verdades do que criar fantasmas representativos de si mesmo. Ficou sem pé, nem cabeça. Ficou sem porquês. Ficou sem sal.

Mas, volto a frase do início desse texto. De louco, sejam médicos, escritores, críticos, etc, realmente todos temos um pouco!  E não seria eu o louco para contradizer a nata da literatura mundial, nem seria petulante a ponto de colocar em “xeque” um dos escritores que, mais uma vez segundo a crítica, revolucionou a literatura do século XX.

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