O Mundo do Faz de Conta

Após intermináveis horas de propaganda política, meses ouvindo e vendo dos mais despreparados aos menos errantes oradores populares, finalmente o silêncio eleitoreiro regressa as telas, rádios, ruas e à vida de todos.  Sem fim eram os teatrais comerciais que interrompiam a programação e a paciência dos que prestavam atenção. Uma avalanche de mesmices prometidas, de discursos despreparados, de falácia desmemoriada, de mentiras e ilusões, de bobagens e verdades sem cura. Passou.

Os eleitos comemoraram, os derrotados lamentaram e o povo retornou a sua programação normal. Voltamos a fantasiosa realidade do “Mundo do Faz de Conta”. Sim, faz de conta que acreditamos que você, candidato escolhido, fará algo. Agora festejas um novo emprego de ganho fácil e labor moderado a menos infinito e, como nós, tenta se convencer da própria mentira. Tá tudo certo! A voz do povo gritou nas urnas eletrônicas um sonoro “bip” da mudança. Ou será da permanência? Quiçá do próximo assalto? Não sabemos exatamente o que acontecerá. Nem sequer sabemos se acontecerá. A estrela permanece com seu brilho fosco, com o mesmo lumiar refletido de outros astros distantes, de outras estrelas.

Obrigação cumprida, voto dado, cadeira preenchida e… e? Será que lembraremos de todas as coisas prometidas? Será que os PACs realizar-se-ão? A memória dos soberanos de uma nação recordará o que fora dito num português duvidoso pela “Presidenta”? Nem Jesus tirou o cargo dela. Aliás, se me permitem, não tirou porque não pleiteou, do contrário sua popularidade notória e divina arrancaria o sorriso da face do mal. Arrisco humilde opinião, embora cético, que “o cara” já tinha muito com o que se ocupar pelo mundo ingrato que ele e o Pai vivem salvando. Deixou que a senhora de barbas, ou melhor, o senhor de saias, ficasse com o trono do “Mundo do Faz de Conta”, afinal, filho do Homem, só tem um mesmo e para esse cargo não se vota e nem se admite propina ou qualquer coisa que possa estimular o erro, o “pecado”.

Disputas a parte, o que importa é que volta a reinar a paz entre os tortos. Os da esquerda, os da direita, os centristas e outros tantos manobristas da máquina pública, agora e como se injúrias não houvessem existido, dão-se as mãos. É hora do quem fica com o quê. Quem ajuda quem. Quem diz e quem cala. A balbúrdia sai da tela e invade os corredores donde andavam almas penadas e santinhos espalhados. Pelas salas do Plenário os PMDBs, PPs, PTs, PVs e PQPs da vida, ardilosamente trabalham a favor da sua permanência no recinto endinheirado do “Mundo do Faz de Conta”.

Seguimos assistindo a programação.

Sorte ou coincidência que o Brasileirão se aproxima do final, a disputa pela taça futebolística esta muitíssimo interessante. A novela âncora da Globo, a que fala uma língua estranha, está nos capítulos finais, capice? A papagaice poltiqueira silênciou e o povo já esqueceu sua falta de opção na urna.

Marina, não a que canta, mas a que mais eloqüente pareceu, também o povo já esqueceu. Tudo verde novamente, tudo vermelho, tudo segue, tudo se esquece ou vira pizza. Segue a programação da vida, do “Mundo do Faz de Conta” de onde tentam expulsar o bobo da corte, sincero tolo chamado “Tiririca”. Mesmo tendo a preferência nacional nas urnas, obtida pelo humor escrachado e real, arrisco dizer ter sido o único palhaço do “Mundo do Faz de Conta” a fazer piada sincera da ignorância assumida. A exemplo do Hollywoodiano “A Vida de David Gale”, onde um professor universitário norte-americano, contrário a pena de morte, já cansado de tentar provar os equívocos legais e as mortes injustas, simula um homicídio digno dos nefastos “Jogos Mortais”. Apontava para si uma culpa, todos os indícios o levaram para o abraço da morte, para injeção letal. Tornando-o então, mais criminoso do que herói até quase o fim do filme. Doou a vida para provar que o erro pertence aos vivos. Mártir? Talvez. Já, nosso não menos famoso cantor da caatinga, o anti-político Tiririca, não fez diferente. Admitiu sua ignorância em público, horário nobre, para tentar resgatar a dignidade de todos que dizem saber e sabem muito menos do que dizem. Enquanto um doava a própria vida para salvaguardar da morte datada uns poucos injustiçados, o outro, creio que sem saber, cedeu sua dignidade para resgatar do conhecimento político ignóbil uma parcela significativa da nação, quase um povo inteiro.

Se roubar no “Mundo do Faz de Conta” pode, por que fazer piada com a verdade não?

(Batschauer)

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Uma resposta em “O Mundo do Faz de Conta

  1. Sábias palavras Marcel Marcelo Bats Batschauer… mas vivemos no mundo real e para viver plenamente nesta vida, precisamos estar CONSCIENTES… busquemos a verdade sempre! beijOM

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