A Saga e o Destino.

10 minutos transformaram-se em 7 horas. Não entendeu? Explico. As 04:30h da manhã, de banho tomado, supostamente bem vestido e pronto para sair de casa, iniciava outro dia no destino da minha vida.

O DESTINO

Aeroporto Hercílio Luz, Florianópolis. Vôo programado para as 06:20h, horário de Brasília. Destino: capital gaúcha, Porto Alegre.

O MOTIVO

Trabalho. E sobre esse assunto não vou me aprofundar. Não terias paciência de ler, nem eu de explicar. Basta saber que atender clientes e vender tecnologia da informação é minha sina.

O DESTINO SOB O PONTO DE VISTA METAFÍSICO

Brincou comigo. É, o destino brincou comigo. 05:05h da manhã e minha carona para percorrer os 70 km que nos separavam do avião acabava de estacionar na rua que dormia. Névoa e silêncio. Tomei a direção e iniciamos a jornada pela madrugada adentro. Pé na tábua, havia um sentimento incômodo de atraso e outro de otimismo. 06:00h chegada no aeroporto seguida de maratona até o balcão para check-in. 10 minutos passados e zero de tolerância, não haviamos conseguido. 06:10h a atendende de cabelo engomado informa que os bilhetes foram emitidos, porém somente os de embarque da volta. Da volta? Nem haviamos ido já estavamos voltando?

A má notícia viria em seguida, após uma breve confusão de pessoas a beira do colapso nersoso nas filas de check-in. Imagine-se ali, esperando, impaciente, ancioso e, do nada, dois cidadãos cruzam toda a fila, assumem a dianteira do atendimento e re-iniciam o procedimento para novo check-in. Motivo do furo da fila somente nós, os cidadãos, e a companhia sabiamos, todos os demais boiavam nervosamente na mesma fila estática de antes com olhares ferozes em nossa direção.

Senhores, disse a donzela simpática e bem trajada, seu vôo já esta fechado e vocês não poderão embarcar. Fiz cara de “como assim”? Mas não falei o que pensava. Solução era perguntar: E agora? Como procedemos? Qual o próximo? Sem respostas. Apenas uma indicação para acompanhá-la a outro guiché. No caminho a mistura de ódio, culpa e imbecilidade liquidificavam meu cérebro. Lá no fundo da minha consciência uma voz ecoava (burro, burro, urro, urro, rro, ro, o).

Pois não senhores, como posso ajudá-los? A pronta vontade era dizer: colocando-nos no primeiro vôo seguinte sua patricinha retardada. E, como se ela lesse pensamentos, disse: Os senhores desejam embarcar no próximo? Um suspiro de alivio desenrugado em homenagem a perspicácia da outra donzela bem trajada que nos atendia. Respondiamos saculejando as cabeças afirmativamente através de movimentos mudos e sincronizados. Então, sem titubear, a moçoila do traje elegante e da maquiagem exagerada lançou o golpe: as 12:55h sairá o próximo. Troca de olhares incrédulos. Uníssono perguntamos: Quando?? Só para não passar em branco a minha pergunta energumena e desesperada repete-se: Moça, não há outro vôo? Lança-nos um olhar maquiado selvagem de indignação que falava telepaticamente o seguinte: “seu burro, se houvesse outro obviamente eu teria avisado”. Compreensível. A perdoei no mesmo instânte pela pergunta infâme que atirei sem pensar.

Enquanto isso, o compromisso, a passagem, o negócio, o atraso, a carona que fora embora, a espera, o regresso, a solução, a cara de tolo, o cliente, o custo, a hora, a cama abandonada, o sono, a confusão, a fila impaciente, o pânico e mais um milhão de coisas passavam pela cabeça numa fração de segundos. Um minuto moça, basta-me um minuto e já responderei. Telefone em punho. Exato um minuto depois a reposta: pode remarcar, por gentileza, as duas passagens para o horário sugerido.

A EXPLICAÇÃO

Talvez tivesse faltado potência no carro que nos conduzira ao aeroporto. Talvez tivessemos acordado mais cedo, com antencedência necessária. Talvez a moça do check-in, a primeira, tivesse maior agilidade e nos conduzisse ao vôo. Talvez o atraso seja um aprendizado presente. Talvez fosse mesmo necessário o atraso para cumprir o destino. Muitos outros “talvez” poderiam ser descritos para ilustrar os motivos dos porquês dos acontecimentos em cascata. Mas o fato imutável é: sigo aqui sentado escrevendo esse texto, por meros 10 minutos de atraso, esperando as 7 horas concluirem até que o destino prossiga, com novas esperas, outros acontecimentos, novas surpresas, ou não.

CONCLUSÃO

Nenhuma.

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