O ser, o bem e o mal.

Reside no humano a dúvida entre o que é bom e o que é ruim. Acredito que, a bem da verdade, quem defini qual a opção é melhor, no final das contas, somos nós mesmos. Tentarei desanuviar meu ponto de vista e filosfar um pouco com você leitor.

Demorei muito compreender o que as freiras do colégio onde estudei intencionavam ensinar obrigando os alunos a ler Pollyana, autoria de  Eleanor H. Porter. Título que desmembrava-se em Menina e Moça. Na época, um martírio, hoje, acho graça e sorvo melhor a idéia. Caro leitor, não sei se é do seu conhecimento o livro, mas a estória era carregada de otimismo. Tão otimista, mas tão otimista, que a pior das desgraças sempre apontava para algo bom. Lá coexistia o paradoxal “bem” e “mal”. Entretanto, a mocinha chamada Pollyana sempre optava pelo “bem”. Extraia do pior, o melhor. Aparava todas as sobras de escárnio e as convertia em elogios. Parecia-me, enquanto jovem rebelde “malacabado” que era, novelinha babaca de freira. A minha arrogância juvenil refletia no mau intérprete que era, na cegueira teimosa da puberdade. Ironicamente, hoje, o otimismo de Polly soa bem.

Relato isso porque tenho notado o quanto as pessoas acabam, por brincadeira, hábito, costume, inocência, baixo-estima, entre outros fatores, menosprezando, incoscientemente, a si mesmo. Preocupação generalizada com a definição dos outros olhos que não os próprios. Grito em favor de “eu” de cada, um sonoro “VIVA AS DIFERENÇAS! A individualidade é o que de mais interessante possuimos. Se nos permitíssimos o luxo de mudar aquilo que não gostamos em nós, pobres infelizes, o suicídio seria a alternativa mais viável antes de nos transformamos em “Franksteins” emocionais e físicos. Ouso, usar-me como exemplo. Se tentasse apontar em mim características que incomodam, certamente a de falar pelos cotovelos, a de pensar muito e tornar-me um chato “filosofélico”* seriam as primeiras a serem estirpadas. Algo repulsivo aos que preferem a simplicidade do nem perguntar para poupar-se do saber.

Ora pois, aprendi a amar cada defeito meu, ou melhor, chamarei de minhas perfeições imperfeitas (parafranseando um Blog muito legal chamado Minhas Certezas Incertas) e individualizadas. A tal Pollyana, a demasiado otimista, acabou por influenciar-me anos mais tarde. Lógico que estou ilustrando. Ninguém lê Harry Potter e sai por aí sacolejando varinhas mágicas. Realmente, para pensar assim, “otimistamente”** falando, foram necessários anos de terapia na busca da auto-estima. Logo, a idade traz consigo alguma experiência, alguma sabedoria extra. Aquilo que insisti existir é a dúvida que pertence a cada um de nós. O que é bom? O que é ruim?  Não há resposta precisa para isso, apenas escolhas individuais e convenções sociais.

Convenhamos, não temos propriedade divina para a perfeição, ser humano é nossa realidade. Eu, “ateu” que sou, não vejo pecado em ninguém, por que o pecado é uma convenção cristã da qual não faço parte. No caso, perfeitamente imperfeitos, considerar a hipótese de que todos somos iguais perante um maior, faz repensar que essa igualdade nunca existiu de fato.Somos mesmo iguais? Não, nunca fomos. Nem nunca seremos. Se a igualdade acometer o homem, enquanto espécie, estará fadado a involução. Não consigo, mesmo com todo esforço, imaginar homens iguais, com comportamentos iguais, com emoções iguais, com tudo igual sob o teto da vida. Imaginando que tudo é do bem e nada é do mal, seriamos o planeta mais monótono do sistema solar e quiçá do universo. Seriamos um grande formigueiro*** redondo, onde tudo seria exatamente a mesma coisa, todos os dias da nossa curta existência.

Bom mesmo é saber que o “bem e mal” coexistem. Que bom saber que você, leitor, tem defeitos perfeitos como eu. Urge aí nossa igualdade diferenciada. Somos igualmente distintos graças a vida. Eu, você e todos. Mantê-la existindo é o motivo verdadeiro para as diferenças germinarem nos mesmos. É essa fonte genéticamente inesgotável que faz o feio ser belo e vice-versa. É vida do bem e do mal que nos conduz pelo labirinto do saber. Respeitando toda forma de crendice, toda diferença. Mas acima de tudo respeitando a si mesmo. Valorizando as diferenças exclusivas de um eu único, humano e imperfeito.

* O certo seria filosófico, mas no meu dicionário individualizado, filosofélico tem radical na filosofia e prefixo na mefistofelismo, ou seja, no sarcasmo.

** Otimistamente faz parte do vocabulário inventivo e subversivo individual do autor do texto. Portanto, não corrijam a regra dos outros, oras bolas. Se até Dilma pode ser “Presidenta”, eu, como indivíduo particularizado e personalizado, posso também criar termos inusitados e instigar a chacina da língua Portuguesa.

*** Desculpem formigas, mas foram as únicas criaturas que, diante dos meus olhos, serviriam de modelo ilustrativo de igualdade e conformidade de ações.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s