A força do acho que, ou não.

Doze minutos na rede nacional para defender-se. Foi assim que Dilma, a vermelhista agiu na telinha do Plim Plim.

Bonner e Bernades, a dupla âncora do Jornal Nacional, estavam mais para inquisitores do que para jornalistas imparciais.
Mas é perfeitamente compreensível tal atitude. Tanto William quanto Fátima são, antes de serem profissionais do jornalismo nacional, pagadores de impostos sob o teto da mesma governança. Certamente a vontade de ambos era expor o nervo petista da Sra. Roussef, a vermelhista.

Logo de início, as primeiras palavras da Sra. Dilma para responder a insistente pergunta sobre estar a sombra de Inácio, o vermelhista, sem qualquer experiência eleitoral, largou de pronto uma saraivada de “acho que”. Uma sequência espetacular do mais puro achismo já proferido por um candidato, ou melhor, por uma candidata ao “talvez eu seja capaz”.

Nesta entrevista, onde a balança pendia a favor do povo, onde as pérolas saiam da concha, o Português foi mal empregado. A Globo transcreveu a entrevista em seu site, mas limpou um “cadinho” as palavras proferidas. Será que é herança? Influência do sindicalista? Ou será que é articulação propositada com vontade de parecer simples, popular?

Vamos para outros detalhes, o tempo esta passando. Fátima lembrou uma entrevista onde Lula referiu-se a Dilma com uma mulher dura, que “maltratava” os ministros. Ela largou em defesa própria:

– Olha, Fátima, é o seguinte, no papel… Sabe dona de casa? No papel de cuidar do governo é  “quinem” (transcrito como falado) se a gente fosse mãe. Tem uma hora que você tem de cobrar resultado…”

Nada de errado, exceto quando ouvimos um presidenciável que pronuncia em cadeia nacional seu idioma sem zelo.

Na sequência William, o Bonner, apimenta a entrevista perguntando sobre o que ela, a vermelhista, pensa a respeito das alianças com nomes duramente criticados no passado lulista. Sarnei, Fernandinho Collor, Jader, Renan Calheiros, críticas cheias de dedos apontados do barbudinho enquanto candidato, nove mais precisamente. Onde foi que PT errou ao assumir essa posição?

Resposta da Sra. Vermelhista:

– Eu vou te falar. Eu perguntava outra coisa: onde foi que o PT acertou? O PT acertou quando percebeu que governar um país com a complexidade do Brasil implica necessariamente a sua capacidade de construir uma aliança ampla.

William insistiu:

– Errou lá atrás?

Dilma esquivou-se:

Não. Nós não… O PT não tinha experiência de governo, agora tem.

Bonner afirma:

– O resumo é: o PT não errou nem naquela ocasião, nem agora.

A candidata do achismo finaliza:

– Acho que o PT aprendeu muito, mudou, porque a capacidade de mudar é importante.

Dã! Pegue seu narizinho vermelho e façamos neste ponto uma pausa. Vamos racionalizar: o que será que ela intencionava dizer? Que agora o PT amadureceu e aprendeu as mazelas da política interesseira? Que se aliando ao mal pode fazer o bem? Que dizer o óbvio convence e esclarece?

Estou impressionado com a capacidade humana de dissimulação, de esquecimento, de mentir para si mesmo. Não sustentou, não convenceu. Mas e daí? É o voto de quem que ela precisa? O meu? O Seu?

Não, não. É o voto do povo.

Voltemos a entrevista pois o tempo voa. Bonner tratou de desconversar antes que a candidata piorasse ainda mais seu discurso unificador e cheio de boas intenções.

Já próximos ao fim da entrevista, após William questioná-la sobre o crescimento econômico, Fátima emendou uma pergunta sobre o tema “saneamento básico” e Dilma largou, sem nem ficar vermelha, a seguinte frase:

“- Eu estava vendo recentemente que nós “temo” (como pronunciado na entrevista) hoje uma execução de obras no Brasil inteiro. Aqui, Rocinha, Pavão-Pavãozinho, Complexo do Alemão. Obras de saneamento, obras de habitação. A Baixada Santista, no Rio, e a Baixada Fluminense aqui no Rio de Janeiro, ela teve um investimento monumental em saneamento.”

Para, para, para! Pausa para análise: será que o Brasil se resume a terra de Garotinho e Rosinha? De Bruno e Macarrão? Esperavamos que apontasse outros feitos, em outros estados, em outras cidades. Mas ficou por isso mesmo, não saimos da Sapucaí. Aliás, Baixada Santista é no Rio?

Os doze minutos se esgotaram e, já cansado dessa novela petista, interpreto a mensagem da Dilma, Sra vermelhista.

“Acho que meu governo será basicamente sobre o social, ou não. Acho que seguirá a mesma plataforma do atual, ou não. Mas de maneira diferente agora com alianças, ou não. Acho que não quero que o Brasil seja aenas um país emergente, mas desenvolvido, ou não”.

Perdoe-me pela interpretação, talvez equivocada, ou não.

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