O bonitinho ordinário

Notoriamente estamos atravessando um novo momento na comunicação digital. Com o auxílio da Internet, reescrevemos a história da comunicação e, porque não dizer, da humanidade. Nunca foi tão fácil obter dados sobre quase tudo o que o homem pesquisa, desenvolve e aprende.

Uma mídia que nem os mais céticos no assunto podem negar sua eficácia, duvidar das transformações que ocorreram em tão pouco tempo ou crêr que o crescimento pára por aqui. Mergulhamos de cabeça na era da informação, aproximando-nos uns dos outros num front teoricamente seguro.

Essa virtualização das relações humanas abre as portas para aquilo que o homem sempre sonhou através da literatura. Semear idéias, contar a história, revolucionar, globalizar o conhecimento.

Diante dessa maravilhosa realidade percebemos que alguns do valores mais primitivos insistem em sobreviver em meio a essa explosão de mudanças. Surge dentre a saraivada de possibiliadades um certo esquecimento descuidado o qual prefiro chamar “desamparo”. Equilibrando-se nesta corda bamba eletrônica estão os empresários atraídos pelo novo. Caminham sobre o abismo digital, repleto de variáveis, sem conhecer as regras básicas de sobrevivência, sem ler o manual básico da presença virtual.

Reafirmo, não exitem culpados, apenas negligentes ou desavisados.

Na onda do modismo, os “e-marketeiros” assumem a postura do saber sem vivenciar. Situação muito parecida com aquela do bacharel recém lançado a própria sorte no mercado. Lugar comum onde a prática reina e a teoria usualmente mofa nas prateleiras. “E-empresários” vendem Web sites, e-mails marketing, banners, portais, e-business, e-commerce, entre outras supostas “soluções digitais” como a salvação da lavoura. O amadorismo, barato a primeira vista, atrai o mercado. O mercado perde qualidade e ganha quantidade. O cliente perde atendimento e não ganha nada.

Lógico, não podemos generalizar. Há competência sim, há agências que levam na prática a teoria consciente, que sabem o real significado do resultado. Por isso reverêncio os práticos, aplaudo a humildade dos que aprendem e melhoram a experiência. Recriam o inventado e readequam para obter maior eficácia. Não há nada de feio em fazer melhor. Há uma velha máxima na Internet que diz: “Aqui nada se cria, tudo se copia”. Uma verdade indiscutível mas locupletável: “…e se faz melhor”. Ora, se noutras mídias é assim, na Internet não seria diferente.

Entretanto, nem todos são comprometidos. Há uma parcela considerável de agências digitais e afins que entendem resultado como ação imediata. Desconhecem a nada sutil diferença entre ferramentas e comunicação. Longe de compreenderem que satisfação nada tem a ver com cliente que paga calado. Distante de aceitarem a ignorância como fonte de aprendizado, de ficarem atentos ao silêncio, de simplesmente apreenderem. Utilizam rótulos eletrônicos, persuadem os clientes menos avisados com trocadilhos puídos, convencem a si próprios que o errado esta certo e fazem tudo igual.

Num primeiro momento considero tais atitudes saudáveis sob a ótica da concorrência. Afinal de contas, afunila, deixa o mercado mais apetitoso para os que possuem cancha, peneirando assim os incompetentes que engolem os próprios anzóis. Por outro lado, o que ocorre, e isso sim é um fato preocupante, é o crescente número de empresários insatisfeitos. O descrédito, por sua vez, inibe o investimento, dificulta o relaciomento, tornam arredias as intenções relacionadas a Internet e culminam pela opção das mídias tradicionais. Oportunidades de aprendizado desperdiçadas.

O momento é propício para repensar. Não dá mais para engolir frases feitas do tipo “agregar valor” em desuso no vocabulário do marketing e ameaçando a criatividade. O meio Internet modifica o paradígma da comunicação. Nele o expectador se relaciona, deixa rastros, interage, informa. Nesse ambiente a visibilidade da marca significa tanto quanto o atendimento que ela dá ao usuário. É mais do que uma impressão de tela, são milhares de movimentos rastreáveis, de dados armazenáveis, de leituras e interpretações. São inúmeras métricas aferíveis e modificáveis em tempo real. A era do Web site cartão visita perde força e dá passagem ao atendimento, a compreensão das necessidades, ao movimento e descarta a inércia da mesmice.

Chegou a hora de fazer melhor, de repensar na comunicação com seriedade e avaliar “quem” faz para “quem”, “o quê” faz e “onde” quer chegar. As palavras da moda são: “atendimento, comprometimento e aferição”.

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