Índios, segundo Lula.

Prontos para ouvir, após as ensurdecedoras vuvuzelas, velhos novos discursos?
Prontos para repetir nas urnas o mesmo patriotismo da flâmula verde e amarela?
Admitamos que todo esse amor pelo futebol deveria se repetir como buzinadas nos ouvidos dos párias da pátria que adoçam mentiras partidárias. Todas as falácias repetidas. Desmemoriadas e insalubres inverdades invandem pela telinha a casa de cada brasileiro.

O “futebol lexotan das multidões” vem em boa hora como calmante, como ludibriante esperança.
Carrega a felicidade dos milhões de canarinhos e toda atenção desvirtuada na casa da Mama África.
Enquanto isso, no campo sem holofotes o time do PAC 1, 2… refestala-se.
Para o povo, vilão que pode ser mocinho ainda é vilão, sem taça na mão e com a vergonha no bolso.

Não há zaga suficientemente forte para defender o time dos homens de bem, não é mesmo companheiros e companheiras?
A estratégia da seleção vermelhista, enquanto defensores das classes menos abastadas, quando ainda não eram “técnicos” do Brasil, era atacar a “situação” alegando que os adversários tratavam o povo como índios, distribuindo esmolas, bugigangas federais em troca de papéis na urna.

E funciona! Era o povo vestido de vermelho que defendia o povo de todas as cores. Eram os defensores das classes, dos sem classe, dos desclassificados, dos “Ds” e “Es” discriminados, famintos, desempregados chamados pela mídia de “massa”, pela tática de votos, muitos votos.

Proferiram discursos ferozes! Apontaram as falhas do time principal, rosnaram e mostraram os dentes. Esse circo feito Copa colou! A simpatia das classes foi além, muito além do que se imaginava. Convenceu também uma parcela significativa de pessoas que acreditavam em mudança, afinal de contas, a verdade era que o velho time precisava mesmo mudar.

O craque da multidão, a bola da vez, era um candidato a Maradona da retórica. Baixinho, sofrido, pobre com cara de povo, com voz de povo, com a dignidade que todo brasileiro que entra em campo carrega na vontade de vencer, de erguer a taça e oferecer a seu país seu mais sincero amor.

Habilidade com os pés no gramado é legado brasileiro, habilidade com as mãos não é só privilégio dos argentinos, agora é nosso também. Ou já era antes e não sabiamos? Ou não queriamos saber? E falando em habilidades não podemos esquecer de mencionar as palavras que se transformam em calorosos discursos. Sim, vieram outros discursos paradoxais. Que nada tinham a ver com futebol, mas que jogavam na mesa do miserável uma jabulane vazia chamada Bolsa Família. Sem costuras, nova e providencial.

Diz um novo discurso que tal bola é para dar dignidade a família. Que esse, ou melhor, isso não é esmola. Diz o texto avermelhado e estrelado que nada tem a ver com o controle das massas votantes e famintas. Nem que compra disfarçadas caridades e fartas urnas patriotas.

Agora, chuta forte a “esquerda”, na contra-mão da história, na contra-dita da estratégia primeira e marca gol contra. Quem proferia duros golpes nas esmolas alheias, agora saculeja uma grande bolsa e distribui dignidade, comida e trocados para os novos índios. Dá “algum” a mais e diz que é “o direito” de cada cidadão desse país de gente trabalhodora, de amigos e amigas.

Outro discurso contraditório é proferido, mas agora repetido por cara nova. Com saias ainda mais curtas, com dez unhas bem feitas, com um legado supostamente salvador da pátria. Decibeis que vuvuzela alguma alcança. Será que mais uma vez não vamos ouvir a voz da razão como o apito que silva pelo impedimento? Bateremos no peito feito propaganda emocionada dizendo: Eu sou brasileiro!

Deixaremos ecoar na memória e na consciência outros discursos? Esse parágrafo último é para o companheiro de barbas e palavras decoradas, o anão proletário que virou rei do Brasil em tempos de democracia. Presta atenção gorducho! Somos brasileiros sim, somos índios, brancos, amarelos e negros. Somos filhos de uma Nação vestida pela flâmula vermelha e pela estrela petista que segue ofertando o escambo cruel e hipócrita da necessidade pelo voto. Outros discursos que se repetem.

(batschauer)

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