cíclico

Pede água! Pede água! Gritam as crianças para abater o adversário. Aquelas brincadeiras onde testávamos força frente a turma, frente ao colega. Subjetivo inimigo imaginário. Objetivo desejo de poder inconsciente urgia nos pequenos inocentes.

Num instante depois, ainda longe do saber consciente, seguia o desejoso poder humano adolescendo, desafiando a vida, brincando com a morte, arriscando no acelarador, no álcool, na pancada mais forte, na pedra mais alta, na desobediência racional, num equilibrar em abismos sociais.

Logo essa fase também passa, avisa o tempo.

Deixamos para trás o desajuizado desafio e partimos para juizo da imaturidade frente ao peso de tornarmo-nos homens. É a partir daí que o braço de ferro com a vida têm início consciente, obviamente mais fraco, inocentemente tentado a vencer.

Ainda intolerantes, ainda insolentes. Notoriamente imprecisos seguem em frente. Arriscam no achismo, armam ciladas emocionais e edificam prisões sem grades.

O crédito demasiado no amor, o descrédito total na experiência dos que já foram idealistas. A bússola aponta para uma direção qualquer que não se sabe interpretar. Nada de conselhos senis dos mesmos maduros de sempre. O poder segue embutido no sonho de um ideal próprio e desorientado.

Hora de olhar para trás quando o erro espeta a alma. Parada súbtida para avaliar tudo aquilo que parecia tão certo, mesmo que fosse achismo. Parecia tudo tão fácil. O fato agora contrariava a síntese da experiência que avisara outrora.

Hora de perceber que mais uma vez a fase muda. Precisa recriar-se. Questinar o poder, mas não abandonar a verdade. Para si, enquanto ser emocional, tem clara a idéia que é na raiz que reside a força, não nas folhas. É dela que brota o novo tronco, o novo mais velho. A folha verde, seca e cai. Não pode ser nela que o todo se sustenta. Esquece da luz, equece que a razão é complemento.

Não é no grito, nem no braço. É na palavra, é na grandeza pomposa que o poder se acomoda. Ignora as folhas, ignora a energia da luz. É na garagem onde os carros novos estacionam, é na morada de alicerces virtuosos, profundos e muros altos que se abriga. É na cadeira preferencial do Banco que administra suas ilusões, no cartão mais dourado, mais ouro ou platinado que se sente seguro.

O poder arreganha os dentes para a vida e para todos em forma de papel, de uma torre de Babel.

Então segue a vida conduzindo afortunados afetos, pensamentos e ações. No bolso um tanto de poder, no passado outro tanto esquecido. A última “era” se aproxima e só ai dár-se-a conta da fúria temporal que consome silenciosa. Capicioso desejo de sobrepor o tempo. Todo poder, toda força e não, menor medo.

Olha para trás onde tudo esta feito, nem tudo realizado.
Lá vem chegando o fim como no começo. Prende tudo e todos num abraço real, finito e grita:

– Pede água! Pede água! E o todo acaba como o sonho de quem acorda.

(batschauer)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s